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Ninho de cucos

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

Deitada no sofá, com uma mantinha por cima - tenho tido muito frio! - leio "Come forth, Lazarus! And he came fifth and lost the job" e rio-me - como é possível não gostar do Ulysses? a pergunta deve mesmo ser feita ao contrário; e também deve haver quem ache que não gosta, que lê e não percebe o gozo que deve ter dado escrever este livro, só pode ser isso - mas então, dizia, estava a rir e a pensar na angústia divertida ou na diversão angustiada que devem ter sido os longos anos da vida de James Joyce a escrever esta obra-prima, e de repente, ao meu lado, dois enormes olhos amarelos acompanhados de um contínuo RrrRRrRRrrRRRRrrrrRRRr. Deixo o livro e festinhas, festinhas, festinhas, e mais festinhas, gato lindo, sim, quem é o gato mais lindo de Portugal e arredores? e da Pérsia, que agora se chama, e da América toda, estados encarnados e azuis, o bicho deve ter sido criado num laboratório de lá, esse focinho lindo não é deste mundo, não é, festinhas e mais festinhas, e o gato numa espécie de transe a ronronar altíssimo, RrrRRrRRrrRRRRrrrrRRRr, os olhos semicerrados e ainda mais amarelos, gato mais lindo, muito bom gato, bom gato, é um muito bom gato, o Varandas, quem é o Varandas? é o gato mais lindo, mais querido, mais pacífico, vomita muito bem porque é bom e lindo, e o animal com a cabeça enterrada debaixo de braço, todo aninhado, sem parar de RrrRRrRRrrRRRRrrrrRRRr, parece um tractor, o Varandas. De repente paro tudo. O gato levanta de imediato a cabeça e franze - não franze mas franze, pronto - levanta-se com a energia que nunca na vida teve e salta. E continuou no seu ritmo alucinante de sempre.

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publicado às 16:28

Nick Cave - The Ship Song

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

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publicado às 16:11

Cat Power - Where Is My Love?

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

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publicado às 16:05

Kate Nash - Mouthwash

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

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publicado às 16:02

Adenda

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

O tema da conversa deliciosa era cabeleireiros, como se percebe.

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publicado às 15:59

Conversas deliciosas

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

- Tu vais lá e os gajos fazem o camandro e o catano e o rabi e exactamente tudo aquilo que tu quiseres.

- Só precisava de saber isso.

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publicado às 09:19

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.08

 

Louise Brooks

 

... quando li o Ulysses há uns sete-oito anos gostei sobretudo de Molly Bloom, muito por causa da última parte - o monólogo interior - e porque havia nela uma concentração de pormenores de muitas mulheres e não apenas de uma. Não era para mim nada óbvio que Nora Barnacle estivesse ali descrita por Joyce, assim sem nenhum pudor. Lembro-me de ler na biografia do Ellmann ou nas cartas, já não sei, o próprio Joyce a explicar que havia muitas mulheres em Molly Bloom. Mas eu gostava - e continuo a gostar - de Molly também porque nela havia acção. Embora Leopold Bloom andasse o dia todo por Dublin, quem agia era ela. E depois sempre embirrei com Ulisses, o grego (pouca acção, apesar de tudo; demasiados anos com Calypso), e Leopold, sendo um Ulisses irlandês, à partida não me interessava. Mas agora vejo um pormenor que o salva, que o torna completo: o amor que tem por Molly. Não me tinha apercebido de que Leopold ama profundamente a mulher. Ama-a fisicamente, o único amor que interessa.  

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publicado às 08:57