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Quase no fim

por Carla Hilário Quevedo, em 07.07.08

"What relation existed between their ages? 16 years before in 1888 when Bloom was of Stephen's present age Stephen was 6. 16 years after in 1920 when Stephen would be of Bloom's present age Bloom would be 54. In 1936 when Bloom would be 70 and Stephen 54 their ages initially in the ratio of 16 to 0 would be as 17 1/2 to 13 1/2, the proportion increasing and the disparity diminishing according as arbitrary future years were added, for if the proportion existing in 1883 had continued immutable, conceiving that to be possible, till then 1904 when Stephen was 22 Bloom would be 374 and in 1920 when Stephen would be 38, as Bloom then was, Bloom would be 646 while in 1952 when Stephen would have attained the maximum postdiluvian age of 70 Bloom, being 1190 years alive having been born in the year 714, would have surpassed by 221 years the maximum antediluvian age, that of Methusalah, 969 years, while, if Stephen would continue to live until he would attain that age in the year 3072 A.D., Bloom would have been obliged to have been alive 83,300 years, having been obliged to have been born in the year 81,396 B.C.

 

What events might nullify these calculations? The cessation of existence of both or either, the inauguration of a new era or calendar, the annihilation of the world and consequent extermination of the human species, inevitable but impredictable."

 

Ulysses, James Joyce, Ithaca, p. 794.

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publicado às 15:21

Regina Spektor - Fidelity

por Carla Hilário Quevedo, em 07.07.08

 

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publicado às 15:17

Amanhã Wittgenstein

por Carla Hilário Quevedo, em 07.07.08

A adaptação das conferências de John Austin, publicadas sob o título How To Do Things With Words, é muito feliz. Uma breve análise do comportamento do público leva-me a concluir que o espectáculo, nos termos descritos por Isaiah Berlin, citado no programa por Pedro Mexia, também terá sido intelectualmente feliz. Responsável por essa felicidade é o muito talentoso Ricardo Araújo Pereira. A frase no cartaz «Ricardo Araújo Pereira a solo e a sério», não sendo performativa, informa o espectador de que não deve esperar o humor dos Gato Fedorento a que se habituou e por cujo regresso suspira. «A sério» apenas porque é inusual, dado que ainda por cima é «a solo». No entanto, como explicar a espécie de riso contínuo do público que acompanhou a estreia de Como fazer coisas com palavras? Rir neste contexto significa que Ricardo Araújo Pereira conseguiu criar uma tal empatia, que leva a que as pessoas se riam naturalmente quando interpreta seja o que for. Ser capaz de ganhar a generosidade do público é o feito mais nobre. A ideia de Pedro Mexia de passar o texto de Austin para o palco foi arriscada e valeu a pena. Para quando uma versão do Tractatus?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-07-08.

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publicado às 08:22

Incentivo ao implante

por Carla Hilário Quevedo, em 07.07.08

 

Não há adolescente que não queira ser igual a uma das agora cinco raparigas do grupo Pussycat Dolls. A dificuldade em escolher a heroína passa apenas pela cor do cabelo, dado que fisicamente todas têm o mesmo tipo de corpo, medem e pesam o mesmo. Nicole Scherzinger distingue-se porque é a única que canta. A expressão «são todas iguais», repetida por profissionais do despeito, pode neste caso ser aplicada mas literalmente. No mais recente vídeo do novo tema When I Grow Up, as Pussycat Dolls saltam por cima de carros e dançam numa espécie de andaime baixinho. Percebemos a ineficácia de uma das bailarinas, menos filmada porque se atrasa na coreografia, ao contrário da lourinha de cabelo curto, que estica a perna e faz um ângulo de mais de noventa graus, e que aparece sempre à frente, ao lado da mentora do projecto. A letra repetida à exaustão azucrina qualquer ouvido. A mensagem é clara: quando for crescida quero ser famosa. A dada altura ouço: «When I grow up / I wanna have boobies». Confirmada a letra vejo que a palavra certa é groupies. O engano é justificado pelas imagens, pela dicção muito ambígua naquele passo do refrão e pela certeza de que tudo é possível.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-07-08.

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publicado às 08:13