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por Carla Hilário Quevedo, em 12.08.08

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publicado às 09:21

As grandes dores são mudas

por Carla Hilário Quevedo, em 12.08.08

Embora esta máxima popular tenha uma possível origem na história de amor não correspondido e com consequências terríveis de Fedra e o seu enteado, o jovem Hipólito (na versão de Séneca: «Os cuidados ligeiros falam, os pesados emudecem estupefactos», v. 607, tradução de Ana Alexandra Alves de Sousa), uma interpretação literal sugere que o maior sofrimento não é traduzível em queixumes. Talvez seja realmente assim. Quanto mais intensa a dor, mais grave a doença e menos esperançosos o tratamento e a cura, menos palavras sobram para explicar aquilo que nos ultrapassa. O que há a dizer perante uma situação sem remédio? Como homenagear o sofrimento se não com um mutismo de pesar? O lamento silencioso, de pasmo perante a insignificância humana, expressa perfeitamente como a vida é breve. Enquanto houver uma dorzinha aqui e ali é possível falar, tentar explicar o que se sente, como é afinal isso de sentir qualquer coisa que nos aflige mas que ainda não nos tolda o discurso. Não é por acaso que há uma escala com níveis de dor: de um a dez. Quando o paciente se queixa de que está no nível dez então não estará assim tão mal. Porque as grandes dores são mudas, precisamente.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-08-08.

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publicado às 09:19

Monica Bellucci come bem

por Carla Hilário Quevedo, em 12.08.08

Numa recente entrevista à revista Elle, Monica Bellucci afirmou que adora comer, que não faz dietas e que se aceita assim como é: menos delgada do que outras actrizes e modelos e mais curvilínea ou generosa. Sentir-se bem na sua pele não fazendo jejuns loucos nem sendo muito magra é o que a diferencia de muitas outras mulheres igualmente bonitas mas mais preocupadas com a forma física. Na competição feminina no Olimpo, Bellucci vence pela sua descontracção. Mas no sopé do Monte o lugar-comum de que a beleza autêntica é interior nem sempre se verifica. O estereótipo da mulher bela e tonta não se lhe aplica nem sequer remotamente. Mas não há que perder de vista (como se fosse possível) a beleza física da actriz de 44 anos. Monica Bellucci, além de inteligente, é objectivamente belíssima. Não sobrevalorizemos a inteligência manifesta em entrevistas (e que não questiono sequer) sob pena de desconsiderarmos o que a separa dos mortais. As declarações de Monica Bellucci sobre as dietas que não faz devem ser aplicadas à própria e não às mulheres em geral. Por vezes, há que fazer uma boa dieta. E exercício físico. Noutros casos, nem tudo isso resolve.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-08-08.

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publicado às 09:12