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por Carla Hilário Quevedo, em 26.08.08

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publicado às 11:43

Na cara

por Carla Hilário Quevedo, em 26.08.08

 

Conta-se que por causa do medo de palco, Virginia O’Brien, célebre na década de 1940, desenvolveu um estilo de comédia muito próprio, que consistia em não fazer a mínima expressão com a cara, nem pestanejar sequer. Mais do que a conhecida e bastante útil poker face, a actriz norte-americana mantinha os olhos vítreos e o aspecto de porcelana enquanto movia os lábios apenas para cantar. Se a propósito de um verso, mexia brevemente os olhos ou dava a mínima entoação a qualquer palavra, aí tínhamos o momento alto do número de comédia. Mas tudo passava mais por brincadeiras vocais do que por espasmos faciais. Na verdade, naquela face não havia nada. Era uma espécie de papel imaculado em que qualquer manchinha de cor ganhava uma importância especial. O que diriam os adivinhadores de expressões ante os números hilariantes de Virginia O’Brien no YouTube? Mas está tudo na cara, mesmo o que não está, porque não estando só se acentua a possibilidade de poder vir a estar... Uma conversa com um especialista em esgares e tiques pode levar qualquer alma pacata à loucura. Ainda bem que O’Brien mostra que só uma cara sem adjectivos é suficientemente expressiva. 

  

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-08-08. 

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publicado às 11:30