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Direitos dos animais

por Carla Hilário Quevedo, em 03.11.08

Há um cão incauto no Porto. Falo de Monty, o labrador de Paulo Rangel. O líder da bancada parlamentar social-democrata declarou numa entrevista no passado sábado (25.10.08) ao jornal Sol que «trocaria a vida do [seu] cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo». Ficámos a saber que Paulo Rangel não duvida perante uma daquelas situações de sonho em que de uma casa em chamas só podemos salvar ou Osama Bin Laden ou o cão Monty. Nem o «ar aristocrata» que Paulo Rangel reconhece no seu labrador lhe confere um estatuto especial no caso de incêndio, porque segundo a sua «concepção jurídica» os animais não são titulares de direitos. A Associação Animal (que tem depressa de mudar de nome), em resposta às declarações de Paulo Rangel, emite um comunicado inútil baseada na mera indignação. Perante frases como: «(…) faço uma separação ontológica entre as pessoas e os animais», a Associação estica o dedo e repreende, tal como qualquer leitor que sabe que os cães não são só para levar à rua e fazer festinhas. Ora, comunicar em público de dedo esticado não serve para defender nada. De uma casa em chamas, salvaria Paulo Rangel ou Monty, mesmo não conhecendo o labrador? Os animais têm direitos? Se não, porquê? Se sim, porquê?

 

Publicado sexta-feira no Meia-hora. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 6, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta-feira, às 10h30.

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publicado às 10:32