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Rádio Blogue: Absentismo na AR

por Carla Hilário Quevedo, em 12.12.08

Na célebre sexta-feira que antecedeu o feriado de 8 de Dezembro, os deputados a caminho do sul ou da neve estavam longe de saber que iam ficar para a história como aqueles que impediram a suspensão do polémico modelo de avaliação dos professores. O projecto teria sido aprovado caso tivessem comparecido à sessão, cumprindo deste modo o seu dever com quem os elegeu. O PSD registou o maior número de deputados faltosos - cerca de trinta -, o que frustra as expectativas dos potenciais eleitores quanto ao desempenho do partido em marcar uma posição veemente contra o governo. O PSD podia ter resolvido o assunto, vencendo uma batalha fulcral numa guerra que não está a ser fácil. Assim, fica a ideia de que há coisas mais importantes para os deputados do que os interesses do país e do partido; e, em última análise, mais até do que o seu próprio interesse profissional. Numa empresa séria, o rol admissível de justificações para estas faltas seria diminuto. Mas a Assembleia não é uma empresa, o que é bom. Infelizmente, cada vez menos parece um sítio sério, o que é mau. No meio de tudo isto, o PS escapou de boa. O que teria acontecido se o projecto de resolução do CDS tivesse sido aprovado? Os ausentes devem ser penalizados e não apenas advertidos? E os líderes parlamentares?

 

Publicado hoje no Meia-hora. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 18, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 19, às 10h30.

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publicado às 10:48

Tudo ligado

por Carla Hilário Quevedo, em 12.12.08

"Para ser feliz, bom-senso é mais que tudo." Sófocles, Antígona, tradução de Maria Helena da Rocha Pereira.

 

"(...) com efeito, o gracejo é uma espécie de insolência bem-educada." Aristóteles, Retórica, II, 12, 1389b, tradução de Paulo Farmhouse Alberto.

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publicado às 10:45

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 12.12.08

Sophia Loren

 

... o que se está a passar na Grécia não me surpreende nada. Gosto muito dos gregos - antigos e modernos, mesmo com cerca de 400 anos de turcos pelo meio - mas temos de perceber que estão longe de ser gente pacífica. Têm uma agressividade muito característica,  no modo como se relacionam no seu dia-a-dia, que pode ser divertida e estimulante, mas que a longo prazo estafa qualquer criatura. Os estudantes acreditam ser os dignos descendentes de Platão e Aristóteles, desprezam a Europa (com a excepção dos países mediterrânicos, em que nos incluem) e não reconhecem a autoridade da Polícia, era só o que faltava. De vez em quando põem bombas nos McDonald's principais da capital. Na Grécia, fui apelidada de "católica de segunda" porque não era ortodoxa. Ora, mais coisas... Ah, gosto imenso dos gregos, falam a melhor língua do mundo, e fui muito feliz no caos de Atenas. Os gregos são perfeitos para debater toda a espécie de temas. Não me lembro de encontrar um único autóctone que se sentisse ofendido ou melindrado com as palavras dos outros. A vaidade acaba por proteger. Têm sentido de humor, são aguerridos e são excessivos. Como tal, são muito afectivos. (Se calhar, esta é a razão por que os Antigos se preocupavam com o equilíbrio. Um bocadinho como Séneca, que falou tanto da ira porque teve o pupilo que teve.) Isto para dizer que estão quase nos antipodas dos portugueses. Também gostei de ouvir Henrique Medina Carreira, mas julgo que não tem de se preocupar com uma onda de violência semelhante em Portugal. Um português descontente resmunga, toma comprimidos; em suma, vai deitar-se um bocadinho a ver se passa. Um grego mais ou menos contente atira pedras à Polícia. Mas basta de antropologia. Vou passar o resto do dia a beber água.

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publicado às 10:19