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Raparigas que gostam de vampiros

por Carla Hilário Quevedo, em 06.01.09

Estreou finalmente em Portugal a série True Blood da autoria de Alan Ball, o argumentista mais deprimido da HBO, que nos brindou com seis magníficas – e ao mesmo tempo insuportáveis – temporadas de Sete Palmos de Terra. O primeiro episódio promete uma série divertida e sensual sobre relacionamentos improváveis entre vampiros e humanos. Podemos dizer que se trata do oposto do seu projecto anterior. Mas os vampiros estão in. Segundo um curioso artigo em The Atlantic, o mais recente filme Twilight, baseado no primeiro livro de uma série de quatro que conta o relacionamento escaldante entre Bella e Edward, sem recurso a tecnologias, está a fazer as delícias das adolescentes. Bella é uma simples estudante de liceu, atormentada como todas e com uma vida amorosa interior fértil e secreta, e Edward é um vampiro distinto e amável. Apaixonam-se loucamente e à medida que o amor é testado e se torna cada vez mais difícil de explicar, as espectadoras e leitoras vibram com o inevitável momento da dentada. Os livros são best-sellers, e esta é seguramente uma mudança na literatura teen. Em vez dos vulgares sms e msn, temos a união pelo sangue. Muito mais animado.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 3-1-09.

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publicado às 23:18

Às claras

por Carla Hilário Quevedo, em 06.01.09

Há poucas pessoas com qualidade na política portuguesa. Esta verdade é muitas vezes repetida por analistas, comentadores e – imagine-se – até por políticos, em momentos únicos de sinceridade irreprimível. Um dos aspectos que provoca antipatia por esta classe é precisamente o modo errado como os intervenientes se comportam no debate político. Ao optarem pela crítica pessoal ou pela denúncia das fraquezas dos caracteres dos rivais, os políticos afastam o eleitorado interessado, que quer ouvir explicações e manifestações claras de interesse – mais pessoas do que se pensa. Por representar o oposto desta orientação generalizada e pobre na política portuguesa, Manuela Ferreira Leite destacou-se no ano que passou. Quanto à escolha de Pedro Santana Lopes, devo dizer que me surpreendeu pela positiva. Manuela Ferreira Leite demonstrou que está disposta a negociar para um fim melhor. Este é um sinal muito concreto de que está a fazer política no melhor sentido da palavra. Os políticos honestos e que fazem o que têm a fazer são muito raros. É por isto que gosto de Manuela Ferreira Leite. Dizem que não tem jeito. Não faz mal nenhum. Ou melhor: ainda bem que não tem.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 3-1-09.

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publicado às 23:13

Benefício colateral

por Carla Hilário Quevedo, em 06.01.09

Tina Fey ficou conhecida um pouco por todo o mundo como a sósia perfeita da Governadora do Alasca, Sarah Palin. A comediante de Saturday Night Live e autora da série 30 Rock foi uma das grandes revelações do ano passado. A edição da Vanity Fair de Janeiro inclui uma longa entrevista que merece ser lida. Filha de pai alemão apreciador de livros de comédia e de mãe grega com um humor descrito pelo marido de Fey como sendo «de um tipo cáustico de faca espetada no coração», Tina é uma trabalhadora incansável, obcecada com rotinas, fiel aos seus princípios e não gosta lá muito dos seus pés. Diz que prefere as boas pessoas e que não tem nenhum interesse por vilões. Sobre Sarah Palin e a sua ida à edição mais vista até hoje de Saturday Night Live afirma que a republicana é uma mulher forte, que sabia que ia ser «atirada para a lama» e se saiu bem. Conta ainda que se enfureceu quando um jornalista a acusou de ter sido pouco delicada com Palin. As piadas foram limpas, afirma. Tina Fey conta que passou por um episódio traumático e fala pouco do tema. A fragilidade é denunciada numa cicatriz que a acompanha desde os cinco anos. Resumindo: determinada e talentosa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 3-1-09.

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publicado às 23:07