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por Carla Hilário Quevedo, em 10.03.09

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publicado às 22:52

O problema de ser séria

por Carla Hilário Quevedo, em 10.03.09

À entrada do Congresso do PS, Carlos Candal, com a delicadeza típica de quem fala sempre com meio charuto enfiado na boca, roncou que Manuela Ferreira Leite era um «fóssil». Talvez por uma vaga memória de vergonha, acrescentou depressa e cabisbaixo que a líder da oposição era «inteligente e boa economista». A tentativa de remediar a afronta não impressionou porque a verdade nunca serviu de compensação. Mas mais que a evidência de ninguém ter ensinado a Carlos Candal – nascido em 1938 – que uma senhora não tem idade interessa perceber que nada mais teve a apontar à líder do PSD. Qual é o problema de Manuela Ferreira Leite? O problema é ser séria, honesta, sóbria e não ter jeito para conversas de chacha com quem não está interessado em sequer compreender os problemas das pessoas. Deus assim a conserve. Mas Manuela Ferreira Leite só será um problema para o país dos Candais, que caminha, esse sim, necessariamente para a extinção. As pessoas gostam de espectáculo mas abominam que os actores sejam os políticos que elegeram e de quem exigem precisamente o que os Candais nunca podem dar. Cada vez gosto mais de Manuela Ferreira Leite. Ainda voto PSD pela primeira vez na vida.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-03-09.

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publicado às 19:31

Olhem para mim que sou tão bom

por Carla Hilário Quevedo, em 10.03.09

Vi um anúncio curioso na edição online do The New York Times. A Bulgari, para celebrar o seu 125.º aniversário, decidiu participar na campanha Rescrever o futuro da organização humanitária Save the Children. Para contribuir basta comprar um anel muito giro que custa 290 dólares, dos quais 60 se destinam a ajudar as crianças. Apesar das boas intenções parece haver algo desagradável na iniciativa. Um anel da Bulgari é muito mais tentador do que os pins que nos pregam no casaco quando contribuímos para campanhas igualmente nobres em colectas de rua. Também é verdade que são raros os que contribuem com uma nota de vinte euros ou mais. Mas ter o tal anel da Bulgari é dar com ostentação e exibicionismo. Admito que a coisa me provoca um certo asco. O filósofo e estudioso rabínico Maimónides dizia que a maior generosidade provinha dos que davam sem que ninguém soubesse que o faziam. Esta campanha com o anel como prémio está no nível mais baixo da escala da generosidade. Por outro lado, os tempos mudaram e talvez a única maneira de recolher ajuda seja através de uma troca, que pode ser o proveito pessoal ou o reconhecimento público.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-03-09.

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publicado às 19:23

"Pois são uns quantos anos a virar frangos éticos"

por Carla Hilário Quevedo, em 10.03.09

Diz Charlotte ao querido maradona nesta fotografia magnífica roubada já não me lembro se do Telegraph ou do Guardian.

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publicado às 19:10