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Rádio Blogue: Metrossexuais

por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.09

Por causa de uma reportagem na SIC sobre metrossexuais, dei por mim a pensar que o sexo masculino caminha depressa para a extinção. Caras senhoras e meninos, vivemos num mundo em que rapazolas de vinte e poucos anos arranjam as sobrancelhas. Se este não é um sinal bem claro da decadência do sexo oposto, vou ali comer uma mioleira de vaca e já venho. Aos que afirmam que os homens devem ter cuidados especiais com o corpo, ir à depilação, à pedicure, cuidar da pele, com máscaras e peelings, só posso concordar que ser mulher é muito divertido, sim. Mas será que estes homens de pés arranjadinhos tratam bem as mulheres? Em vez de acertar as sobrancelhas não deviam antes emendar as maneiras? Tive saudades de uma época recente em que um homem era ridicularizado se ia a um cabeleireiro cortar o cabelo, em vez de ir ao barbeiro. Talvez a ideia errada de que um homem, para o ser, tinha de se apresentar como um brutamontes barrigudo tenha levado a este estado de coisas muito lamentável. Entre a depilação integral e a contagem minuciosa das calorias ingeridas, os metrossexuais não suscitam nenhuma curiosidade; pelo contrário, são tidos como invasores em território feminino. O que leva um rapaz a preocupar-se com cutículas e pilosidade a mais? Já não há homens?

 

Publicado hoje no Meia-hora. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 19, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 20, às 10h30.

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publicado às 17:01

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.09

Lawrence Alma-Tadema, The Roses of Heliogabalus, 1888

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publicado às 16:57

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.09

 

Madonna

 

... sonhei que comprava um bilhete de cinema para ir ver o Texas Chainsaw Massacre - After you stop screaming, we'll start talking about it. Quando chegava à sala, encontrava-a completamente vazia e acabava por ver o filme com as pernas esticadas e os pés apoiados nas cadeiras da frente e um enorme balde de pipocas no colo. No fim da sessão sussurrei qualquer coisa como: há filmes que são só nossos. É dos primeiros sonhos coerentes e fáceis de perceber que tenho há anos. Fico muito contente por ver o meu inconsciente tão organizadinho. Entretanto, o livro de que fala Susan Neiman - aquele em que estava a trabalhar: Moral Clarity: A Guide for Grown-Up Idealists - saiu o ano passado mas ainda nada de versão portuguesa. Vou fazer mais um add to basket. Espero que sejam mais rigorosos do que na tradução de O Mal no Pensamento Moderno: Uma História Alternativa da Filosofia, que se lê por exclusivo mérito da autora. A qualidade do texto não é afectada por imprecisões. Aquilo é bom em todas as línguas. Por falar em traduções: as de Joaquim Manuel Magalhães/Nikos Pratsinis dos poemas de Konstandinos Kavafis são 497 mil milhões de vezes melhores do que as de Jorge de Sena. Com todo o respeito. Não tem sequer comparação. Já o disse no passado. (Estou para aqui largada numa enorme tristeza por não poder acompanhar uma coisa que eu cá sei, mas quinta-feira é o dia da semana em que pratico luta livre. Fica registado o lamento.) Por falar em JMM, gostei do que escreveu aqui o João Gonçalves. Esta é uma razão por que gosto do blogue:  o autor não anda em bando, não precisa de palmadinhas nas costas nem de mimos e não anseia pela concórdia a todo o custo. Gosto da atitude e nunca leio o que escreve sobre Israel. Cada gato sabe o que é importante para si. Já agora, por falar em Nietzsche: vi ontem Vasco Pulido Valente sem pachorra nenhuma para Correia de Campos. Um exemplo para todos nós.

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publicado às 10:34