Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Coisas que melhoram algumas vidas (108)

por Carla Hilário Quevedo, em 07.04.09

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:08

Destaque

por Carla Hilário Quevedo, em 07.04.09

União de Facto

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:59

Parece que era cumpridor

por Carla Hilário Quevedo, em 07.04.09

Depois de ver um documentário sobre Josef Fritzl fiquei a pensar se não temos afinal um dever de nos metermos na vida uns dos outros. Fritzl era severo com os filhos e recusava podar as sebes do jardim. Isto chegava para mandar a Polícia lá a casa? Na Áustria, não. A severidade é bem vista e ninguém interfere na jardinagem alheia. Em Portugal talvez um vizinho mais melga reclamasse da flora caótica. Sabemos agora que um breve incidente era crucial para quebrar a rotina criminosa. Mas só consoante os resultados da abelhudice sabemos se ser metediço é bom ou não. No caso de Fritzl uma mulher menos submissa ou um vizinho mais curioso podiam ter libertado Elizabeth. Mas esta falta de curiosidade alheia foi sustentada pelo confiável Josef. Respeitado na comunidade, pai extremoso, respeitador do seu dever e homem de palavra, Fritzl nunca levantou suspeitas porque cumpria as suas promessas e era trabalhador. O monstro austríaco cumpre a pena de prisão perpétua num hospital psiquiátrico. Nem o Estado em última análise acredita que uma pessoa no seu perfeito juízo elabore um plano hediondo tão cuidado. É demasiado penoso reconhecer que fez tudo premeditadamente.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-4-09.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:28

Tentações autoritárias

por Carla Hilário Quevedo, em 07.04.09

 

Não é segredo que não vou ao cinema. Os cinéfilos intransigentes que me desculpem, mas prefiro esperar pelos filmes em DVD. Foi assim que só agora vi A Onda, um filme alemão com argumento adaptado de uma história de Morton Rhue, que, por sua vez, se baseou numa experiência de um professor americano, William Ron Jones. Sem entrar em pormenores, o ensaio foi o seguinte: um professor tenta demonstrar que o nazismo ou outro regime autocrático podem voltar a acontecer. Aproveitando-se da confiança e da popularidade que gozava junto dos alunos, o professor leva a que aceitem os princípios básicos que geram este tipo de sistemas: disciplina, submissão da individualidade ao grupo, adopção de símbolos que os diferenciam dos outros e os tornam iguais entre si e a consequente exclusão de todos os que não aceitam aquelas regras. Independentemente das qualidades cinematográficas o conteúdo do filme é assustador. A simplicidade dos conceitos e a sua penetração fácil em pessoas desprevenidas, confiantes ou à procura de um objectivo na vida sugerem que a repetição dos pesadelos do passado está ali mesmo ao virar da esquina. Felizmente no filme tudo acaba mal.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-4-09.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:16

A gente já sabe

por Carla Hilário Quevedo, em 07.04.09

A melhor definição do que é a Playboy foi dada por Helen Mirren numa entrevista a Michael Parkinson em 1975: «É uma revista pretensiosa e romantizada. É só dinheiro». A actriz inglesa recusou posar para a Playboy também porque a considerava mais pornográfica que muitas assumidas como tal. Recentemente a humorista norte-americana Sarah Silverman numa entrevista a Bill Maher classificou as coelhinhas da Playboy e os visitantes da Mansão de Hugh Hefner como «pessoas danificadas». Emocionalmente, claro. Entre as mulheres que exibem o corpo por «rios de dinheiro» e os homens que compram a revista «para ler os artigos» não interessa muito saber quem mente mais a si próprio. Por cá as modelos que aceitem posar nuas ganham cerca de 30 mil euros e como literatura a revista oferece dicas a homens inaptos com o sexo oposto e textos do Pedro Paixão. Por vezes ouço dizer que exibir fotografias de mulheres nuas é uma forma de homenagear a beleza feminina. É cá uma homenagem! Porque não admitir que uma revista para ser masculina tem de ter mamas à mostra? Seja como for, a edição portuguesa começa quando em Nova Iorque os escritórios da revista fecham. É um belo sinal.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-4-09.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:10