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Dá para tudo

por Carla Hilário Quevedo, em 30.06.09

 

Uma mulher uma vez perguntou a um rabino o que andava Deus a fazer desde que criara o mundo. O rabino respondeu que Deus andava ocupado a juntar casais. A mulher ficou surpreendida com a resposta e disse logo que isso também ela era capaz de fazer. O mesmo pensou o casal fundador do Shaindy.com, um site especializado em encontros extra-conjugais para judeus ortodoxos e ultra-ortodoxos. Em entrevista ao jewcy.com, Jerry (nome fictício) explica que havia no mercado dos encontros amorosos online muita procura e pouca oferta para religiosos ortodoxos ou hassídicos. Descoberto este inesperado nicho de mercado, Jerry viu a conta bancária a aumentar e justifica a existência do site com a seguinte frase: «todas as comunidades têm as suas necessidades: álcool, drogas, infidelidade, e é errado pensar que somos diferentes». Afirma não ter nenhum conflito entre a sua educação religiosa e a sua opção de vida e alega que não sente culpa. Que as pessoas não aguentam vidas conjugais complicadas, e que ali, ao menos, encontram almas religiosas e infiéis. Ora, praticar a ortodoxia começando pelo adultério é exercício para contorcionistas desalmados. Desculpem a inocência.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-6-09.

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publicado às 08:49

Uau!

por Carla Hilário Quevedo, em 30.06.09

Imaginemos que uma jovem mãe escrevia um livro sobre o seu dia-a-dia em casa com o filho enquanto o marido trabalha. A não ser que a história acabasse em sangue, ou na descoberta de que a mãe ganhava fortunas enquanto a criança dormia, o livro seria banal e não teria o mínimo interesse. Mas se fosse um homem a escrever sobre o mesmo tema? Uau! Era mesmo capaz de ser um best-seller. Pois isso aconteceu com Jeremy Adam Smith, que escreveu um livro e deu uma entrevista à Salon. O autor e pai de uma criança de quatro anos escreveu sobre a experiência extenuante de ficar em casa a cuidar do filho e explica como o seu quotidiano é exigente. Ser criativo e manter o puto ocupado é o conselho do autor para todos os homens que ficam a casa a cuidar dos filhos. Uau, outra vez! Nunca nenhuma mulher pensou nisto. Jeremy Adam Smith diz ainda que um homem aceitar que a mulher tenha a responsabilidade financeira do lar pode ser um desafio para os mais tradicionais. A sério? Não é possível! A entrevista acaba com o pai/autor a dizer que o filho lhe deu uma razão para viver. Não foi a carreira mas o filho que fez com que visse a luz e deu sentido à vida que nunca teve. Uau!

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-6-09.

 

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publicado às 08:46

A beleza inútil

por Carla Hilário Quevedo, em 30.06.09

Andava satisfeita com aquela história tradicional dos gatos, que conta ter sido no Egipto que começaram a viver connosco, graças à sua capacidade de luta contra os ratos e ao ronronar carinhoso. Mas afinal parece que não foi nada assim. Quer dizer, foi: só que quatro mil anos antes. Tudo começou no Crescente Fértil, para os lados de Israel e da Síria. Não muito longe das pirâmides nem do Nilo, é certo. Segundo a Scientific American, há provas de que havia gatos domésticos na Ásia e na África do Sul. Desilusões faraónicas à parte, percebi finalmente porque os gatos se distinguem entre si por cor e tipo de pêlo, mas não pelo tamanho, como acontece com os cães. Os académicos explicam. Como os cães foram domesticados na pré-história, muito antes dos gatos, o homem especializou-os na caça, na luta, no pastoreio, etc. Ora, os gatos, como sabemos, além de gostarem de ratos, só querem dormir e marmelada. Esta inutilidade congénita salvou-os de grandes alterações. Ninguém quer um tigre-siberiano a dormir em cima dos pés. Por isso, a partir do século XIX começaram a fazer gatinhos queridos, com cores mais exóticas, casacos de peles mais exuberantes e olhos mais carentes.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-6-09.

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publicado às 08:42

Doença e maldade

por Carla Hilário Quevedo, em 30.06.09

A Associação Americana de Psiquiatria ia provocando tumultos nos Estados Unidos ao querer apresentar uma nova perturbação mental: o ressentimento (bitterness). A nova doença ainda não está incluída na nova edição do sacrossanto DSM, a bíblia do diagnóstico psiquiátrico, mas para lá caminha. A ideia é incluir o ressentimento na lista das consequências do clássico stress pós-traumático. Parece que a síndrome do ressentimento está muito presente nos americanos. Não é caso para menos. Têm razões de sobra nos últimos dez anos. O 11 de Setembro, com os terroristas, os mortos e as suspeitas de incompetência na prevenção do ataque; uma guerra sem o aval das Nações Unidas, que está longe de acabar; o Katrina e a falta de assistência; o desemprego; o subprime e a crise, etc. Um pacote de explicações é apresentado para a epidemia do ressentimento. Inventar um comprimido que faça com que o ressentido desista de se vingar é, sem dúvida, o mais civilizado. Podiam distribuir a droga nas células da Al-Qaeda, na Coreia do Norte, entre os talibãs e outros ressentidos que infernizam o dia-a-dia alheio. Só não acredito que o ressentimento se cure com sopas e descanso.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-6-09.

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publicado às 08:38

Introdução à política norte-americana

por Carla Hilário Quevedo, em 30.06.09

 

Barack Obama tem muitas qualidades. É hábil e inteligente. Parece saber sempre exactamente como se comportar e o que fazer em qualquer situação. Como se fosse pouco, é bem-parecido e elegante. Foi perfeito na campanha para chegar ao poder – sim, perfeito porque o objectivo era ganhar as eleições – e há pouco tempo até matou uma mosca numa entrevista. Não terá sido um grande feito, bem sei. Não é como ir a pé até à Índia. Mas terá sido mais uma prova de que Obama, além de tudo e mais alguma coisa, tem sorte. As coisas saem-lhe bem. Enquanto o assassínio do animal não humano era prontamente condenado pela PETA, milhares de trintões pelo mundo recordavam a cena de Karate Kid em que Mr. Myiagi explica ao jovem aprendiz, Daniel, que aquele que conseguir apanhar moscas com dois pauzinhos, é capaz de fazer tudo na vida. Daniel, claro, apanha logo uma. Obama recorreu à palmada pura e simples. Mas só porque não tinha um par de pauzinhos à mão. E depois apontou para o bicho morto, para que o mundo visse que estava a dizer a verdade. Não é no matar da mosca que está o ganho. Isso foi sorte. É no apontar da prova que temos o que interessa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-6-09.

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publicado às 08:32

Ah ta-tá!

por Carla Hilário Quevedo, em 28.06.09

A stingray leaps out of the water as it is hunted by a killer whale, whose fin can be seen below the ray, just off St Heliers beach in Auckland, New Zealand. Daqui, claro.

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publicado às 11:59

Germaine Greer sobre Michael Jackson...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.06.09

... e a aproveitar para dar as suas alfinetadas em Madonna, como quem não quer a coisa.

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publicado às 11:55

Onde está o Manet?

por Carla Hilário Quevedo, em 27.06.09

Édouard Manet, La Musique aux Tuileries, 1862

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publicado às 08:57

Is it time to return the Parthenon Marbles?

por Carla Hilário Quevedo, em 27.06.09

Yes.

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publicado às 08:55

Rádio Blogue: Denúncia e responsabilidade

por Carla Hilário Quevedo, em 27.06.09

O juiz-conselheiro Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, na sequência da detenção de um elemento da Comissão por suspeitas de ter abusado sexualmente de um jovem de 16 anos que se encontrava a seu cargo, afirmou que «noticiar alegados casos de abusos a menores é um reflexo positivo de uma maior interiorização do dever de respeitar a autodeterminação sexual dos menores». Segundo o juiz-conselheiro, a divulgação deste tipo de casos pela comunicação social é «salutar», porque é um sinal de que a gravidade destes actos e das suas consequências está aos poucos a ser interiorizada. Armando Leandro referiu que «temos de ter consciência de que os predadores sexuais podem existir em qualquer quadro, em qualquer situação» e notou que «por vezes são pessoas que não imaginávamos» as que cometem os crimes. Estas afirmações dão que pensar. Integrado numa Comissão especializada na protecção de menores haveria um criminoso. O juiz-conselheiro pode considerar salutar que os jornais publiquem estas notícias, mas não explica como um caso destes pode acontecer na dita Comissão. Notícias de abusos a menores podem ajudar a detectar pedófilos? Instituições com menores a cargo devem ser responsabilizadas pelos crimes dos seus funcionários?

 

Publicado ontem no Meia-hora. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 2, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 3, às 10h30.

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publicado às 08:51

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