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Rádio Blogue: ASAE

por Carla Hilário Quevedo, em 17.07.09

Sou das poucas pessoas neste País que respeita o trabalho da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica. A acção da ASAE é essencial à protecção dos direitos dos consumidores. Ninguém se opõe ao encerramento de restaurantes com cozinhas imundas e supermercados que vendem carne podre. No entanto, a minha estima é posta à prova sempre que este respeitável organismo ensandece. Por exemplo, quando prende pessoas em rusgas a feiras, proíbe o uso de colheres de pau nos restaurantes ou escrutina bolas de Berlim nas praias. Os excessos da ASAE correm agora o risco de ser considerados inconstitucionais. O Tribunal da Relação considerou que o organismo não podia funcionar como uma polícia criminal. Ou seja, não tinha poderes para fazer detenções nem escutas telefónicas. Se o Tribunal Constitucional confirmar a decisão da Relação, muitos dos casos da competência da ASAE vão deixar de ter qualquer validade e as decisões podem vir a ser anuladas. Independentemente dos casos bem resolvidos ou absurdos protagonizados pela ASAE, a sua acção foi posta em causa. Concorda com a existência deste organismo tal como existe? No caso de ser inconstitucional, deverá todo o trabalho ir para o lixo? Que caso da ASAE achou mais ridículo e qual lhe pareceu o mais bem resolvido?

 

Publicado hoje no Meia-hora. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 23, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 24, às 10h30.

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publicado às 18:04

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 17.07.09

Sir Lawrence Alma-Tadema, A Favourite Custom, 1909

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publicado às 17:45

É uma trabalheira danada

por Carla Hilário Quevedo, em 17.07.09

O tempo que leva

Miguel Esteves Cardoso, no Público de hoje

 

Dantes, durante toda a minha vida, eu ficava em casa - a beber, ler e escrever - e poupava tempo e energia. Às vezes ao mesmo tempo. Ou quase sempre: lê dali; aponta aqui; entorna dacolá. Pensava eu que estava a ser um inútil e a dar cabo da minha saúde. E afinal só estava a dar cabo da minha saúde.

 

Agora comecei a sair e a ir à praia e dou comigo a dizer, às pessoas que amo, que não tenho tempo para aturá-las. E é verdade. Não tenho.

 

No constrangimento dos meus míseros 1500 caracteres por crónica e das minhas poucas 24 horas por dia, acreditem: não caiam no mesmo erro do que eu. Folguem e deixem-me trabalhar, por amor de Deus.

 

Comecem por contabilizar o trabalho que dá chegar a casa (e, por reflexo, sair): abrir a porta; falar aos gatos; pousar o saco; despir a roupa; ver o mail; abrir a janela; transferir os telemóveis; aquecer sopa; tirar o gelo e sacudir a areia dos jornais que ainda não se leram.

 

Com um pouco de esforço, chegar a casa pode ser o objectivo das nossas vidas. Dá muito trabalho chegar. Sair ainda é como o outro - mas chegar é uma boa meia hora que nunca mais ninguém nos devolve. Tira e pendura o fato de banho; seca as toalhas; dirige-te para a parte da Praia Grande onde não se ergueu uma bandeira vermelha; arranja um sítio para estacionar; não te esqueças das cadeiras; traz a chave.

 

Parece que há uma diferença entre viver e sobreviver: sobreviver é mais chato. E leva mais tempo.

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publicado às 10:41