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Rádio Blogue: Debates eleitorais

por Carla Hilário Quevedo, em 04.09.09

Depois da notícia chocante de nestas eleições não haver debates entre os líderes dos principais partidos com assento parlamentar, as três televisões uniram esforços para não deixar passar a oportunidade única de esclarecer os eleitores mais confusos e de acordar os mais anestesiados. Numa reunião tipicamente portuguesa, com oito horas de duração, o modelo dos debates e os respectivos pares de candidatos foram por fim conhecidos. Aos quinze minutos para as nove da noite dos próximos dias, assistiremos a dez debates, cada um de quarenta e cinco minutos, entre os candidatos a primeiros-ministros de Portugal; excepção feita para o último, a 12 de Setembro, uma espécie de choque de Titãs, que obrigará José Sócrates e Manuela Ferreira Leite a permanecerem juntos no mesmo local durante sessenta minutos. Das regras fixas para todos os canais faz parte um sorteio que determina quem se senta onde, a quem é feita a primeira pergunta e quem fala por último, apesar de não necessariamente melhor. Uma nota a favor deste modelo: os debates são curtos. A ideia de que «é pouco tempo para informar as pessoas» pode estar generalizada mas é falsa. Quanto tempo seria preciso para ficarmos esclarecidos? Oito horas? O candidato que não for capaz de dizer ao que vem nos cerca de vinte minutos limpos em cada confronto também nunca será capaz de o fazer em mais tempo. Esta é uma vantagem preciosa para espíritos sintéticos e incisivos como, por exemplo, o de Paulo Portas. Jerónimo de Sousa, José Sócrates e Francisco Louçã, todos intrinsecamente repetitivos, podem não ser tão beneficiados pela brevidade. Vinte minutos de ostensivas repetições são uma eternidade. Por ser uma forte candidata à vitória nestas eleições, muito é esperado de Manuela Ferreira Leite. Resta saber se as eleições são mesmo disputadas nestes dez combates televisivos. Qual é a capacidade de influência destes frente-a-frente? Vota mais na pessoa e não tanto no programa e muito menos no partido? Muda de ideias acerca dos candidatos depois de os ouvir a debater uns com os outros?

 

Publicado hoje no Metro. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 10, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 11 de Setembro, às 10h30.

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publicado às 16:27

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 04.09.09

Grace Kelly

 

... os mais atentos podem aprender muito neste mês único na história deste país, em que, prevejo, haverá feridos e mortos, tal o tom homicida da discussão política. Cada um luta com as armas que tem, mas é pena que cada vez menos pessoas utilizem a ironia (é preciso ser inteligente), o sarcasmo (artilharia pesada), ou mesmo o cinismo (o mais fácil), e optem pelo insulto (bocejo), a brejeirice (os mais velhos não resistem à sua graçola revisteira), ou por uma linguagem abaixo do miserável para expressar os seus pontos de vista. É certo, no entanto, que, na maior parte dos casos, esses pontos de vista estão perfeitamente adequados à linguagem utilizada para os expressar. Mas só os que valorizam a coerência podem achar que isto é bom. Entretanto, vi ontem a primeira Quadratura do Círculo da rentrée e adorei, adorei, adorei (para os mais jovens ou mais esquecidos ou ambos, esta expressão era delicodocemente dita pelo realizador João César Monteiro). Belo programa, sim senhor. Uma vez que o Abrupto anda numa onda de provérbios, dedico-lhe o seguinte, cuja primeira parte é o título de uma fotografia do très malandre Lewis Carroll às inocentes irmãs Liddell: Open your mouth, shut your eyes, and see what Providence will bring you.  

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publicado às 09:39