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Rádio Blogue: Polanski

por Carla Hilário Quevedo, em 09.10.09

Em 1977, Roman Polanski foi detido e acusado de ter violado uma rapariga de 13 anos. Na altura o realizador polaco declarou-se culpado, mas antes de ouvir a sentença, fugiu dos Estados Unidos, país ao qual nunca mais regressou. Passaram mais de trinta anos, a vítima, Samantha Geimer, entretanto perdoou publicamente ao agressor e continuou a sua vida. Indiferente ao perdão da vítima, o tribunal não encerrou o caso. A sentença manteve-se em suspenso, e as autoridades tentaram várias vezes deter Polanski em deslocações a festivais de cinema, por exemplo, à Tailândia ou a Israel. Há poucas semanas, quando chegou à outrora neutra Suíça, acabou finalmente por ser detido. Roman Polanski é, para resumir, um fugitivo à justiça que foi apanhado. Aparentemente há questões mais difíceis de resolver que esta. Polanski era apanhado e extraditado para Los Angeles, onde seria julgado e cumpriria a pena que tinha a cumprir. A pena, entretanto, pode ir até aos cinquenta anos na prisão. Não querer cumpri-la foi o que levou Polanski a fugir, mas passado tanto tempo, talvez agora algum amigo do realizador lhe pudesse dizer que o mais sensato seria aceitar a inevitabilidade do destino. Mas os amigos europeus de Polanski resolveram alegar o argumento da superioridade dos artistas sobre os comuns dos mortais e aqui tudo se complica. Pedro Almodovar, Monica Bellucci, Ettore Scola e Wim Wenders são algumas das pessoas que afirmam que um artista como Roman Polanski não deve ser incomodado com pormenores jurídicos irrelevantes. O argumento de que um realizador talentoso pode estar acima da lei é inaceitável para grande parte da opinião pública. Luc Besson demarcou-se desta posição, alegando que ninguém pode ficar de fora do sistema de justiça, nem um realizador galardoado com um Óscar. O que pensa deste caso? Os artistas têm razão em exigir um tratamento especial perante a lei? Os casos de abusos a menores devem prescrever?

 

Publicado hoje no Metro. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 15, às 15h, vão para o ar na Rádio Europa na sexta, dia 16 de Outubro, às 10h35.

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publicado às 17:48

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 09.10.09

Sophia Loren

 

... se há coisa que ninguém me pode acusar é de ser santanista ou santanete ou lá o que é. Na altura em que Santana Lopes aceitou o convite para ocupar o lugar de Primeiro-ministro, aleguei diferenças irreconciliáveis de estilo e gosto. São diferenças profundas, e não estou a ser irónica. Mas gostei de ver Santana a candidatar-se à presidência da Câmara de Lisboa. Há pouca gente combativa neste país. E a pouca que há é quase sempre considerada um incómodo. Só por ser combativo merece atenção. E depois tem de mostrar o que vale. E desta vez mostrou. Fez uma grande campanha. Nos debates, derrotou na maior das calmas o seu principal adversário e deu uma excelente entrevista ao Ricardo Araújo Pereira. Digo já que a minha avaliação dos políticos passa pelo modo como se apresentam e pelo que dizem no Gato Fedorento. E não estou a brincar. Se morasse no Porto, não hesitava em dar o meu voto a Elisa Ferreira. Sobre Rui Rio alego diferenças irreconciliáveis de estilo, gosto e mesmo estruturais. E desta vez nada indica que vá mudar de ideias.

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publicado às 10:16