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por Carla Hilário Quevedo, em 13.10.09

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publicado às 07:59

Setenta anos é muito

por Carla Hilário Quevedo, em 13.10.09

Nas últimas eleições legislativas, as mulheres conseguiram quase 27% dos lugares a que se candidataram: mais 7% que na legislatura anterior. Não chegámos aos famosos 33% requeridos pela lei, ainda não se percebe bem como. Mas enfim: era a paridade possível para certas cabeças. Segundo os cálculos das Nações Unidas, se não tivéssemos a tal lei, teríamos demorado cerca de 70 anos a alcançar a mesma percentagem. Aqui está uma previsão um bocado esquisita. Tínhamos de votar em mais dezasseis legislativas, e o aumento de 7% levaria à eleição de quase meia deputada por cada acto eleitoral. Nunca fui boa a contas mas parece-me que é isto. Inquieta-me uma coisa. Segundo a nova constituição da Assembleia, só o Bloco de Esquerda cumpriu, e em excesso, a quota de mulheres na sua bancada. Os restantes partidos ficaram aquém dos tais 33%. E agora? Vão ter de pagar uma multa? Podem trocar os deputados excedentários por candidatas a deputadas que ficaram de fora? O Bloco, que tem uma a mais, pode ceder a senhora a outra bancada mais deficitária, como a do PSD, à qual faltam cinco mulheres para estar dentro da lei? Há dias em que tenho muitas perguntas para fazer.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-10-09.

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