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Mas gosto sempre muito do mesmo

por Carla Hilário Quevedo, em 10.11.09

William Hogarth, Scholars at a Lecture, 1736

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publicado às 21:38

O chato

por Carla Hilário Quevedo, em 10.11.09

O célebre bipolar Stephen Fry, comediante e escritor inglês extraordinário, é também um utilizador compulsivo do Twitter. Até podia ser uma excentricidade divertida, porque afinal de contas Stephen é o Fry do brilhante A Bit of Fry and Laurie, que me lembro de ver na RTP 2 e não me importava de rever. O Twitter é uma daquelas redes sociais em que uma série de pessoas segue outras tantas. Ninguém pode escrever mais que 140 caracteres. A limitação torna o modelo divertido. É engraçado para gosta de partilhar o que vai vendo na internet mas a frequência no uso pode levar à ilusão perigosa de que se vive ali. Alguns casos mais conhecidos acabaram mal. Desta vez, Stephen Fry foi notícia no Guardian porque ameaçou abandonar o Twitter depois de um fã lhe ter dito que o «admirava e adorava» mas que o achava «um bocadinho maçador». Quem siga Fry (tarefa impossível porque twitta um milhão de vezes por dia) percebe o que quis dizer o senhor que tem como nickname brumplum. Pouco depois do chilique de Fry, brumplum retractou-se, o amuo da estrela frágil passou e a crise foi superada. Há pessoas de quem gostamos e que não queremos conhecer. E isto é muito saudável.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 6-11-09

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publicado às 21:11

Aprender com os outros

por Carla Hilário Quevedo, em 10.11.09

 

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, enviou um e-mail formal ao seu rival democrata, Tom Ammiano, a explicar por que razão vetara uma lei qualquer. O pormenor que faz deste enfadonho acto político uma notícia é poder ler-se uma grosseria na vertical juntando as primeiras letras de cada frase: F*ck you. O assessor de imprensa do exterminador implacável desmentiu que o acto fora propositado e explicou que se tratou de uma infeliz coincidência. É difícil acreditar nesta explicação quando ainda há poucos meses, Arnold enviou uma escultura em bronze de um par de testículos de boi ao líder da oposição. O objectivo era insinuar que o opositor devia ter coragem para aprovar o orçamento proposto pelo governador. Outra dificuldade em aceitar o acróstico (assim se chama a forma literária descoberta no e-mail) é a probabilidade de isto acontecer ser de uma contra 8.031.810.176. Mas nunca se sabe. Também há pessoas que ganham o Euromilhões só com uma aposta. Talvez não seja má ideia os assessores de imprensa dos nossos governantes passarem a ler as primeiras letras de cada frase de cima para baixo em qualquer comunicado. Mais vale prevenir.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 6-11-09

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publicado às 21:06