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por Carla Hilário Quevedo, em 14.01.11

 

John William Godward, A Priestess, 1894

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publicado às 19:14

O que ficámos a saber a partir de um caso particular

por Carla Hilário Quevedo, em 14.01.11

- Tanto há velhos estúpidos como jovens estúpidos.

- Uma criatura que tortura outra durante uma hora, depois toma banho, veste um fato e diz 'este já não sai do quarto' pode ser considerada inimputável.

- Mesmo confessando o crime, o homicida é 'alegado', porque o mundo é apenas um imenso tribunal.

- 'Vontadinha de calar o próximo' é 'politicamente correcto' para a esquerda e 'pudor' para a direita.

- Aristóteles não compreendia a curiosidade mórbida, mas há por aí muito boa gente disponível para o esclarecer.

- Everybody is a comedian, e é uma vergonha.

- A solução para pessoas que pensam que ser gay é pior que ser assassino é não nos darmos com elas.

- Nietzsche tinha toda a razão quando falou dos que combatem monstros e se tornam monstros.

- A realidade não tem assim tanta importância. 

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publicado às 18:50

Rádio Blogue: Homofobia e liberdade de expressão

por Carla Hilário Quevedo, em 14.01.11

A história do caso que chocou o país nos últimos dias não demora a contar: um homem foi assassinado por outro num contexto de violência doméstica. A notoriedade do cronista, um homicida de 21 anos e a brutalidade com que o crime foi cometido preencheram páginas de jornais e horas diárias de televisão. Mas apesar de o homicídio de Carlos Castro merecer sobretudo notas de pesar pela vítima, as caixas de comentários de jornais online contrariaram o ingenuamente esperado bom senso, tendo sido invadidas por insultos homofóbicos. O país que viu ser aprovada na Assembleia da República a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo também está nestas caixas de comentários. Negar a evidência é criar uma ilusão sobre uma parte substancial da população que se manifesta, desinibida, na Internet. A coberto ou não do anonimato, aquelas pessoas disseram o que pensavam sobre o caso. E o que pensam é assustador. O facto levou a que Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias, mostrasse uma preocupação especial com os comentários nos jornais online que incluíam ameaças de morte. O problema é sério, mas não é difícil de resolver: estes comentários devem ser censurados e denunciados à Polícia. O caso da página do Facebook de apoio ao assassino é de Polícia e deve ser resolvido pelos tribunais. O combate à homofobia, no entanto, não se faz combatendo a liberdade de expressão. Não é proibindo as pessoas de falar que a sua opinião muda. A balbúrdia inerente à democracia é preferível à compostura própria do politicamente correcto. Portugal é um país de homofóbicos? A liberdade de expressão tem limites?

 

Publicado hoje, no Metro. Deixe a sua opinião através do 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os comentários que chegarem até quinta-feira, dia 20 de Janeiro, às 15h, vão para o ar, na Rádio Europa, na sexta, dia 21, às 10h35.

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publicado às 18:31