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Chiuuuu

por Carla Hilário Quevedo, em 08.02.11

Li no Telegraph que, em Inglaterra, três em cinco pessoas acham que perderam o controlo sobre os dados pessoais divulgados online, não só por causa de hackers mas por cruzamentos de dados entre empresas ou instituições. Penso que esta situação faz parte da nossa realidade actual. Ainda há não muito tempo, bastava pedirmos à telefonista o número de telefone e a morada de alguém e ela respondia sem hesitar. Imagino que antigamente, mas talvez não há tanto tempo como isso, bastava meter conversa com uma vizinha para saber tudo de alguém que vivesse no mesmo bairro. Agora, claro, já não precisamos de vizinhas indiscretas nem de telefonistas apáticas. Estamos a viver outro momento da história da humanidade. Pelo menos da que ganha mais de quatrocentos euros por mês e trabalha legalmente. Não sei qual é a solução para proteger a privacidade. Talvez não dando nenhuma informação sobre si a ninguém. O silêncio acaba por ser mais barato. Mas pode haver quem se atreva a sugerir a criação de um Serviço Nacional de Dados Privados. Sabendo como é caro sustentar o Serviço Nacional de Saúde, ainda nos arriscamos a precisar de dois FMI para nos safarmos de mais essa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-2-11

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publicado às 18:58

Raparigas

por Carla Hilário Quevedo, em 08.02.11

Abigail Jones escreve um artigo delicioso na Inteligent Life sobre como ouviu o tema clássico Will You Still Love Me Tomorrow? composto por Carole King e Gerry Gofin, com 18 e 21 anos respectivamente. O tema original foi interpretado em 1960 por um grupo feminino chamado The Shirelles. A canção ocupou o primeiro lugar do Billboard Top 40 e aí permaneceu durante quinze semanas. Não é para admirar que Tomorrow se tenha tornado um hino, sobretudo para as raparigas no começo da idade adulta. Abigail Jones defende a tese de que a canção é sobre as raparigas e o sexo, e eu concordo com ela. A preocupação em saber «se gostarás de mim amanhã» está relacionada como o acontecimento de «hoje à noite» que pode levar a um «coração partido» quando «a noite se encontrar com o sol da manhã». A história é tradicional e inseparável da ideia generalizada de que uma rapariga curiosa não é boazinha. Mas Will you still love me tomorrow? também é a expressão do medo do que «ele» e o mundo possam pensar acerca deste seu desejo. Passados cinquenta anos, talvez a pergunta sobreviva nas raparigas que de manhã se esquecem de que também foram elas a querer.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-2-11

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publicado às 18:46