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por Carla Hilário Quevedo, em 09.04.11

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publicado às 15:42

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 09.04.11

Ava Gardner (bem acompanhada)

 

... o estado da Nação foi de novo discutido no célebre almoço de sexta, que por vezes é à quarta, e às vezes é jantar. É o momento da semana em que a democracia cristã se reúne à mesa com o socialismo e discute livremente sobre os temas nacionais que preocupam ambos. A dada altura lá aparece um inflamado «É incrível o que têm dito de Sócrates!». A resposta é tranquila: «Mas a crise não tinha acabado, as contas não estavam controladas e até só tínhamos - só! - dez por cento de desempregados? Merece boas palavras?». O socialista não militante do grupo, no entanto, é dos que está visivelmente combalido com a triste situação em que o País se encontra. Pergunto-lhe como o PS insiste em Sócrates, quando, ao contrário do que se passa neste momento no PSD, têm pessoas com qualidade, como é o caso de Francisco Assis. Fica cabisbaixo e muda de assunto. Estamos todos apreensivos com a falta de ideias do PSD, que já teve mais que tempo para apresentar o seu programa. É muito preocupante que um partido há um ano e meio na oposição não tenha um programa bem estruturado, com ideias concretas sobre como tirar o País deste buraco. A austeridade será necessária, mas vai criar mais pobreza se não houver ideias para evoluírmos. E é esta a dificuldade: conjugar os cortes na despesa com a revitalização da economia. Os partidos têm de apresentar ideias práticas sobre como mudar a sério o país, antes que tudo para sobreviver. Pessoalmente, na campanha eleitoral, não quero ouvir a palavra 'esperança' dita por políticos, nem conversas do «Foste tu!» e «Não, foste tu!». Funcionam em países com poucas dificuldades, o que não é o caso. Se querem o meu voto, vão ter de o merecer. Uma boa maneira de o conseguirem é pelo pragmatismo nas propostas, associado à retórica. Sejam práticos nas ideias e claros no discurso e talvez conquistem a minha atenção. Não falámos sobre a necessidade de cada um trabalhar melhor, porque sabemos que nada se faz sem esta atitude essencial no desempenho de qualquer tarefa. Nos almoços, falamos mais sobre o que precisamos de compreender melhor.

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publicado às 08:27