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Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 12.04.11

James Rosenquist, The Book Disappears for the Fast Student, 1977

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publicado às 17:04

Não posso fazer nada

por Carla Hilário Quevedo, em 12.04.11

Fumar está outra vez na moda. E as produções das revistas femininas têm ajudado à festa. Ao contrário de Euan Ferguson, no Guardian, não sou, nunca fui, nem serei fumadora, e por isso espero que esteja enganado. Temo, no entanto, que as restrições cada vez mais rígidas aos fumadores estejam a torná-los em heróis trágicos da liberdade. Digo trágicos por razões de saúde mais que provadas e comprovadas. Mas um herói que não morra pela causa – ou um herói com final feliz – não é bem um herói, pois não? A questão é que apesar do vício desagradável, do cheiro incómodo, da fumarada que irrita todos os sentidos de uma pessoa, e do perigo de incêndio involuntário, fumar tem uma certa pinta. Uma femme fatale, um detective dos de antigamente, um escritor revoltado, um pintor alucinado, um poeta implacável só podem, além de beber, fumar. Sei que são clichés, mas não tenho culpa de quase dois séculos de imaginário cultural não poderem ser apagados por vinte anos de União Europeia ou seis de ASAE. Repito que não fumo, nem fumarei, mas percebo que estou de fora quando vejo a Moss a desfilar envolta em fumo ou apanho a Bacall no ecrã da televisão de cigarro na boca.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 8-4-11

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publicado às 16:49

Mais um passo

por Carla Hilário Quevedo, em 12.04.11

Investigadores da Universidade do Michigan fizeram ressonâncias magnéticas a 40 pessoas com desgostos de amor e confirmaram que a dor que sentem, ao verem uma fotografia da pessoa que lhes partiu o coração, é verificável. Ou seja, estas não são dores imaginadas: são físicas. Alguns especialistas comparam este sofrimento ao dos doentes de fibromialgia, que padecem de dores fortes e localizáveis, como as reumáticas, embora situadas nos músculos e tendões. Com esta informação, vemos de outro modo o final de Romeu e Julieta, mas também imaginamos mais soluções para suavizar as maleitas do coração que ama. Sabemos que, durante séculos, o suicídio e o álcool foram a única forma de acabar com aquele tipo de dor que muda a nossa vida. Com estas novas descobertas, é possível resolver o problema de modo menos drástico. No Boston Globe, Deborah Kotz aconselha Tylenol. Outros especialistas verificaram que, em casos menos dramáticos, como não termos sido convidadas para o aniversário da nossa melhor amiga, uma aspirina funciona muito bem. São soluções que confirmam a atitude dos românticos dos séculos XVIII e XIX, que acabavam os seus dias encharcados em ópio e láudano.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 8-4-11

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publicado às 16:43