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Do Exibicionismo*

por Carla Hilário Quevedo, em 14.06.11

Luciano Ventrone, Tendera a..., 2011

 

* Cerejas a óleo sobre tecido. E não pensem que já viram tudo. Isto é só o começo. 

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publicado às 15:01

Perder é antidemocrático

por Carla Hilário Quevedo, em 14.06.11

Impediram as votações em algumas freguesias de Portugal, como sinal de protesto. Numa fecharam a porta a cadeado, noutra inutilizaram a fechadura com cola. Noutra, adoptando uma abordagem talvez mais agressiva, puseram abelhas no interior. O mais surpreendente é que estes métodos simples foram suficientes para impedir o acto eleitoral. Há pouco tempo houve eleições municipais em Espanha. Numa aldeia perdida na Sierra Nevada, cujo nome não quero esquecer, Lanteira, votaram 459 pessoas. O Partido Socialista ganhou com 230 votos contra o Partido Popular, que obteve 229. Obviamente, nessa aldeia toda a gente se conhece. Um dos eleitores de 87 anos e conhecida simpatia socialista perdeu os documentos de identificação e apresentou uma carta de condução alemã dos seus tempos de emigrante. Houve uma discussão na mesa eleitoral e, após muitos protestos, o documento foi aceite. Foi esse voto que fez a diferença. Houve contestação pós-eleitoral e o caso está em tribunal. O mais engraçado da história que indigna os lanteirenses é o que se segue. Quando perguntaram aos vencedores se teriam reagido como os derrotados, eles responderam logo que sim. A democracia é mesmo para todos.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-6-11

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publicado às 14:56

Festejos tímidos

por Carla Hilário Quevedo, em 14.06.11

E o PSD lá venceu as eleições sem fazer uma grande festa por causa disso. E o CDS lá cresceu sem fazer alarido do caso. Compreendo a solenidade que Portugal merece neste momento difícil, mas se havia noite para festejar era aquela. No entanto, tanto Passos Coelho como Portas optaram por receber a vitória sem exibições de emotividade. Estiveram bem na campanha e, no meu entender, ambos demasiado discretos na vitória. Era possível exibir uma alegria franca de vencedor sem dar um ar de vingança pela esmagadora derrota de Sócrates. Era possível receber a vitória de braços abertos como uma dádiva de confiança por parte dos eleitores. Em vez da exuberância no triunfo, ambos optaram por um excesso de moderação pouco adequado ao momento. Os momentos de vitória e derrota eleitorais devem ser difíceis de controlar. Mas a alegria franca no sucesso alcançado também é um sinal de confiança em si mesmo e uma mostra de gratidão. Apesar de sermos um povo pouco efusivo, quero acreditar que ainda sabemos saborear as vitórias. Não ter receio nem vergonha de ser apreciado também indica seriedade. Talvez saber ganhar seja algo que todos vamos ter de aprender a fazer.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-6-11

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publicado às 14:42

É editar, meus amigos

por Carla Hilário Quevedo, em 14.06.11

Obrigada à Ana e à Ana, que me enviaram uma corrente com uma série de questões sobre hábitos de leitura e livros. Nada contra, mas não tenho concentração para responder a todas as perguntas. Sugiro uma edição radical ao questionário. Respondo à pergunta nove e passo a corrente não editada ao maradona, à Fátima, à Helena, ao João e ao Jansenista. Quem é amiguinha, quem é?

 

9. Que livro estás a ler neste momento?

O primeiro volume das Antiguidades Romanas, de Dionísio de Halicarnasso, na edição bilingue da Loeb que me anda a dar cabo da vista.

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publicado às 14:31

Tenho andado distraída com os aniversários...

por Carla Hilário Quevedo, em 14.06.11

Jorge Luis Borges

... e só há dias me apercebi dos 300 anos da morte de David Hume. Treze de Junho é dia de Santo António e do meu Pai, e 123 anos passaram desde o nascimento de Fernando Pessoa. Um dia depois, a 14, hoje, temos este ano o 25.º aniversário da morte de Jorge Luis Borges. O jornal La Nación publicou vários artigos sobre o escritor. Amássemos nós um décimo de Pessoa do que os argentinos amam Borges... Talvez seja mais fácil para nós amar o que vem de fora. Neste caso, não vou ser excepção. Aqui fica um belo artigo de Beatríz Sarlo sobre o que teria sido a literatura argentina sem Borges. Só Julio Cortázar sobreviveria por si: «Cortázar, en cambio, leía a Borges y declaró que quiso escribir en la lengua que Borges usaba. Como inventor de ficciones buscó lo que Borges rechazaba: el shock del surrealismo, el disparate de la patafísica. No estoy muy segura de que Borges le fuera indispensable del modo en que lo fue para Walsh o para Piglia. Lo fantástico de Cortázar no es una respuesta a Borges; es diferente.» O exercício é ousado e está muito bem escrito. Recomendo a leitura.

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publicado às 14:18