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Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 21.06.11

Andy Warhol, Diamond Dust Shoes, 1980

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publicado às 21:29

Antes marchar

por Carla Hilário Quevedo, em 21.06.11

A história tem início a 24 de Janeiro deste ano, numa palestra sobre como evitar a violência sexual, na Faculdade de Direito de Osgoode Hall, na cidade de Toronto, no Canadá. O conferencista era um polícia chamado Michael Sanguinetti e a sua tese é agora mundialmente famosa: «As mulheres deviam deixar de se vestir como p**** para evitarem violações». A palavra usada assim é um insulto ordinário, por isso não a escrevo toda. Este agente da autoridade não hesitou em responsabilizar as vítimas pelas violações que sofreram. Podia ser português ou espanhol, mas era canadiano. A reacção não se fez esperar, mas a originalidade do protesto ultrapassa quaisquer expectativas. Sonya Barnett e Heather Jarvis eram duas mulheres que assistiram pasmadas à conferência do polícia. Decidiram organizar uma «Slutwalk». Depois de Toronto, as marchas de mulheres de calças de ganga superjustas, blusas com decotes profundos, minissaias e saltos altos chegaram a Los Angeles, Filadélfia, Buenos Aires, Nova Deli, Londres. Talvez importe passar a mensagem acima de tudo verdadeira de que o homem nasceu para se controlar. E a mulher para se produzir. Marchai até que os pés vos doam!

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-6-11

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publicado às 19:21

O futuro dos radicais

por Carla Hilário Quevedo, em 21.06.11

A derrota do Bloco de Esquerda nas últimas eleições significa, antes de mais, a forte rejeição do eleitorado às ideias deste partido. Resta saber para onde foram os votos. Alguns terão ido para o PS, como voto útil à esquerda. Mas acredito que muitos terão sido deslocados, por assim dizer, para o Partido pelos Animais e pela Natureza, que obteve um resultado acima dos 50 mil votos. Infelizmente, não bastaram para eleger um representante parlamentar. Liderado por Paulo Borges, o PAN é defensor de causas tão sérias e nobres como a abolição das touradas e de qualquer actividade que a sociedade portuguesa entenda como lúdica, mas que é obviamente baseada na exploração do sofrimento dos animais. Sou sensível aos princípios básicos deste partido e lamento que Paulo Borges não tenha ganho um lugar na Assembleia. Mas contemos com a seguinte agenda parlamentar para o futuro. Teremos «matadouros ilegais» em vez de «interesses capitalistas», «touradas» em vez de «neo-liberalismo selvagem» e apelos sentidos ao vegetarianismo (ninguém é perfeito) em vez do clássico «eles comem tudo». O futuro com os radicais da Natureza promete ser muito mais duro e sofisticado. Até breve.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-6-11

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publicado às 19:17