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Do Exibicionismo

por Carla Hilário Quevedo, em 31.07.11

Zener, 2009

Eric Zener, Free, 2009. Mais um mergulho a óleo sobre tela.

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publicado às 14:51

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 31.07.11

Bernini

O Êxtase de Santa Teresa, de Gian Lorenzo Bernini, 1652

 

... dizem que hoje é o Dia Mundial do Orgasmo. E ainda se fala de mulheres que o fingem. É uma conversa bafienta, quase nunca provocada por homens, mas pelas próprias mulheres, que até se gabam fazer de conta logo no local e na hora da verdade. Como não entendo este fingimento, que nunca é, infelizmente, do orgasmo «que deveras sente», consultei um especialista em mulheres. Pedi que me explicasse por que carga de água havia mulheres que gemiam sem verem uma única estrela no céu. Apresentou três razões: 1) para o homem não se sentir mal; 2) para o homem não pensar que é frígida; e 3) sobretudo, para acabar com o assunto. A primeira é uma mentira piedosa. A segunda é uma mentira cruel e a terceira é uma mentira preguiçosa. Feliz Dia do Orgasmo!

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publicado às 10:01

Rita Hayworth loves the bomb

por Carla Hilário Quevedo, em 30.07.11

Fotografia descoberta no blogue do crítico de cinema Roger Ebert.

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publicado às 18:55

Dor de Cabeça: Amor epidérmico

por Carla Hilário Quevedo, em 30.07.11

A necessidade de fixar promessas de amor eterno e mostrar ao mundo que se ama X é uma explicação para as tatuagens de amor. O vento leva as palavras e exibir a paixão dá prazer. As tatuagens feitas por amor são as promessas gravadas na pele e à vista de todos. Parece bonito mas tatuar o nome ou o rosto da pessoa amada deve doer imenso. Alguns dizem que «é preciso muito amor», como no samba de Noca da Portela e Tião de Miracema, para suportar a dor das agulhas a massacrar a pele com a tinta. Outros defendem que com certeza falta um parafuso na cabeça dos que se sujeitam a tamanha tortura. Kat Von D talvez seja uma exibicionista masoquista. Também é conhecida por ser tatuadora profissional. Participa em LA Ink, um reality show sobre tatuadores e tatuados, em Los Angeles, e até há pouco tempo estava apaixonada pelo ex-marido de Sandra Bullock. Jesse James tinha um nome que prometia, mas acabou por ser decepcionante tanto para uma como para a outra. Sandra Bullock tinha uma vantagem sobre Kat Von D: não fizera uma tatuagem enorme da cara do marido no lado esquerdo do tronco. Num dos episódios de LA Ink, Kat resolveu surpreender o namorado com um retrato de quando ele era jovem gravado no corpo. Perante a surpresa de James, perguntou-lhe, a brincar, se tencionava acabar tudo com ela. Dias depois estavam separados. Num breve vídeo no YouTube, Kat Von D conta que tem um jota de um antigo amor tatuado no calcanhar. Pergunto se não tinha sido preferível retocar a letra, visto que coincidia perfeitamente com o nome e o apelido do novo amor. Tinha doído menos e não ocupava tanto espaço. Apesar de a tatuagem quase chegar até à zona da axila, certo é que não está nas costas, onde nunca mais seria vista. Mesmo sabendo que os desgostos fazem parte da vida, não é preciso carregar todos os dias a imagem de quem nos desapontou. Muito menos dar de caras com ela por levantar o braço. Espero que Kat Von D se apaixone por alguém parecido com Jesse James e que desta vez recicle o desenho que tem gravado no corpo.

 

Publicado ontem, no Metro. A Dor de Cabeça volta em Setembro.

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publicado às 18:41

Do Exibicionismo

por Carla Hilário Quevedo, em 30.07.11

Eric Zener, Somersault, 2010. Óleo sobre tela, oh yes...

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publicado às 11:51

O blogue melhora a vida das pessoas?*

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.11

Ao contrário do que muitos juram a pés juntos, acredito – tenho muita, mesmo muita fé nisso – que a leitura melhora a vida de algumas pessoas. A chave desta crença (que é como quem diz «tese»), e a maneira de encontrei de me proteger das críticas ferozes que não deixo nunca de merecer, é aquele «algumas». Não, nem todas as pessoas que lêem. Só aquelas que têm bom carácter. Talvez esteja a brincar. Eu própria ainda não sei se chegou a hora de admitir que não estou nada. Ora, o que fazemos nós na blogosfera? Lemos precisamente, muitíssimo mais do que escrevemos. Assim sendo, proponho a seguinte reflexão: o blogue melhora a vida das pessoas?

 

Não hesito em responder que sim. Mesmo desconhecendo completamente a vida anterior dos autores da quase totalidade dos blogues portugueses, estou absolutamente certa de que houve uma melhoria substancial nas suas vidas na sequência da criação dos seus blogues. Em vez de andarem por aí na malandragem, por exemplo, andam na malandragem na blogosfera, o que apesar de tudo poupa bastantes maçadas. Há casos em que a melhoria de vida dos blogueadores é notória. Casos de mulheres que não tinham o que fazer, agora têm blogues; casos de homens que não tinham quem insultar que passaram a poder fazê-lo por causa dos blogues; casos de pessoas que não tinham vida própria e que passaram a tê-la na blogosfera. Ao contrário do que possa parecer, todas estas situações são exemplos de melhoria de vida. Uma melhoria no sentido em que o blogue ocupou um espaço vazio e de sofrimento em muitas pessoas. O meu total desconhecimento do que eram antes de chegarem aos blogues é um pormenor irrelevante. Não interessa tanto saber como eram, importa saber como se comportam porque isso nos diz o suficiente a respeito do que nunca deixaram de ser.

 

Imaginemos por instantes um alcoólico com mau álcool, chato, repetitivo, exaltado ou mesmo violento. Não é o álcool que transforma um homem doce num criminoso que bate em mulheres, por exemplo. É o próprio criminoso que se torna o que sempre foi no momento em que bebe uns copos e, por assim dizer, descontrai e – obrigada, Big Brother! – é «ele próprio». O mesmo se passa com as mulheres que sempre que estão na presença de outras mulheres não conseguem deixar de sentir uma inveja galopante. As responsáveis pela mudança de cor das invejosas – para um verde esquisito – não são as outras mulheres, mas as falhas irreparáveis de carácter nas primeiras.


O blogueador não é excepção a esta regra. O blogue só potencia o melhor ou o pior que existe em nós, tal como o álcool ou a presença de outras mulheres. Talvez por essa razão, os blogues amargos ou ressentidos sejam tão extraordinários. É preciso perceber que se não fosse o blogue, aquelas pessoas estariam a fazer a vida negra a alguém da sua própria família. Assim, não. Estão simplesmente a achar que existe uma comunidade inteira interessada na vida negra que gostariam de fazer a completos estranhos. Ora, isso, para mim, representa uma melhoria inquestionável na vida dessas pessoas, quanto mais não seja pela pergunta óbvia: se não fosse o blogue como poderiam ser «eles próprios»?


Mas deixemos os casos mais difíceis de defender de melhoria de vida para descansarmos nos mais evidentes. Porque é que há na blogosfera quem mantenha os seus blogues há mais de quatro anos? Ou há três? Ou mesmo há dois? O que faz com que pessoas adultas se dediquem diariamente a algo que não lhes traz dinheiro (na maior parte dos casos) e que tantas vezes lhes traz anónimos mal-educados às caixas de correio ou de comentários? Nem todos serão masoquistas, apreciadores de uma bela actividade que implica gasto de tempo e que pode ser muito insatisfatória. Sendo assim, porquê? Apresento três razões para a permanência: 1) encontrámos uma maneira de «sermos nós próprios» nesta espécie de «reality-show» artificial e no computador; 2) apesar de tudo, continuamos a ter tempo; e 3) há pessoas que gostam da partilha pelo puro prazer da partilha e não por um interesse rebuscado, uma intenção obscura ou uma vontade inconfessável. Essa necessidade de partilha – comum a muitos blogues, felizmente; aos melhores, acrescentaria mesmo –pode tornar-se um vício. Julgo que no caso dos melhores blogues é isso que se passa. Porque os melhores blogues são generosos, dedicados, alegres ou tristes mas nunca controladores, sacanas, nem impositivos de nada. Como as melhores pessoas.

 

O blogue melhora a vida das melhores e das piores pessoas porque lhes possibilita ser todos os dias aquilo que realmente são.

 

* Crónica publicada na saudosa Atlântico, em Novembro de 2007. Volto a publicá-la porque ontem apareceu a sombra do tema.

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publicado às 19:56

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.11

Marilyn Monroe

 

... o Verão está a querer colaborar com incansáveis almas trabalhadoras. Pela minha parte, agradeço o apoio e a neblina. E correu muito bem. Foi um prazer, estimado Jansenista. Em Setembro, dou notícias das próximas sessões do Café dos Blogues. Todas prometem. 

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publicado às 08:33

Café dos Blogues - Summer Session

por Carla Hilário Quevedo, em 26.07.11

Na quinta-feira, 28 de Julho, às 19 horas, o Jansenista e eu vamos estar na Almedina do Atrium Saldanha a falar sobre anonimato. Ah, e sobre blogues e Facebook e Twitter e Google+ e blogues. Apareçam!

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publicado às 14:57

Gente chata

por Carla Hilário Quevedo, em 26.07.11

A notícia publicada no Diário de Notícias apanhou o mundo de surpresa: parece que Pamela Anderson, de 44 anos, eterna estrela de fato de banho encarnado da série televisiva Marés Vivas, envelheceu. A frase não a poupava: «A aparição da actriz deixou claro que o tempo passa para todos». Nos dias que correm, parece impossível que uma pessoa faça uma «aparição» que «deixe claro» uma certeza tão desagradável. E logo uma loura explosiva que fez sonhar adolescentes e pais. É uma falta de respeito para o público masculino macilento e um descanso para mulheres feias. Perante a calamidade, resolvi investigar o estranho caso do envelhecimento precoce da modelo e descobri que os paparazzi adoram fotografar Pamela Anderson em duas ocasiões da sua vida privada: no parque do estacionamento do supermercado e no aeroporto de Los Angeles. E adoram porque aparece despenteada e sem maquilhagem, com aspecto de quem acabou de acordar. Os espectadores da vida alheia dizem que está velha. Nada mais natural. Mas também nada que escova e base não resolvam. Tenho uma ideia: deixem de a fotografar no seu dia-a-dia e vão ver como continua a mesma.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-7-11

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publicado às 14:52

Com apenas dois graus

por Carla Hilário Quevedo, em 26.07.11

Na semana passada foi notícia que Assunção Cristas decidiu subir a temperatura nos edifícios que dependem do seu ministério. A poupança energética com o corte no uso do ar condicionado abrange os 10.500 funcionários dos 1500 edifícios do Ministério da Agricultura e do Ambiente, e poderá abarcar toda a administração se os resultados forem positivos. Além do efeito esperado na factura da electricidade, a medida também permite a redução das emissões de dióxido de carbono. Não me parece uma medida simbólica. É uma poupança comparativamente pequena, se tomarmos a dívida soberana como referência, mas é uma economia considerável se pensarmos no descuido habitual na despesa das repartições do Estado. A medida não é original e já foi tomada noutros países. Mas a maioria dos comentadores e jornalistas não perdeu a oportunidade de criticar com ironia e sarcasmo este pequeno contributo para combater o desperdício. É curioso observar como o cinismo se instalou nos meios de comunicação social. Até ouvi dizer na televisão que esta era «a maneira de Cristas solucionar a nossa dívida pública». Com certeza que a medida não resolve tudo, mas é de pequenino que se torce o pepino.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-7-11

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publicado às 14:45

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