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Determinismos

por Carla Hilário Quevedo, em 05.07.11

De corpo e alma é uma série americana agradável, que está a ser transmitida pela SIC ao sábado à tarde. O título original é Drop Dead Diva. A protagonista é uma rapariga loira, bonita e magra, boa pessoa mas superficial, que morre num desastre de automóvel e que, por um erro no escritório do Céu, regressa ao mundo dos vivos no corpo de uma advogada gorda e inteligente, hospitalizada no mesmo dia. A personagem mantém a personalidade anterior, baseada na sua beleza, mas adquire os conhecimentos jurídicos da ocupante do corpo obeso. Podem imaginar o resto, que nada tem de imprevisível, mas que nos oferece momentos de humor original. Entre eles, temos o efeito irresistível de ver o comportamento, os tiques e a linguagem típicos de uma rapariga gira, superficial e fashion, que parecem desadequados à sua nova aparência e que são muito estranhos para quem a rodeia. Sem haver na série nenhuma pretensão ideológica, uma mulher pouco atractiva (segundo os padrões clássicos de beleza) a falar como se fosse a oitava maravilha do mundo tem muita graça. Pergunto se a mesma troca funcionaria com homens. Penso que não. Têm todos o mesmo James Bond dentro deles.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 1-7-11

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publicado às 18:23

Corpos elegantes

por Carla Hilário Quevedo, em 05.07.11

Li um artigo curioso no site The Daily Beast sobre a eterna suspeita de que a dieta alimentar baseada na restrição de calorias retarda o envelhecimento. O problema está em confirmar esta intuição de um modo científico num ser humano. Imagino que teríamos de acompanhar as vidas de dois grupos de pessoas com hábitos alimentares idênticos entre si mas diferentes entre cada grupo. Um comeria o estritamente necessário à sobrevivência. O outro andaria à solta nos McDonald’s da vida. É uma experiência impossível de realizar. É possível, no entanto, imaginar as consequências de uma dieta caloricamente restritiva. Como diz Susan B. Roberts no artigo, a anorexia é o maior perigo da dieta espartana. A restrição obriga ao jejum e poucos são os que jejuam de uma maneira saudável. É ainda possível prever uma série de complicações para o grupo que só come a chamada comida rápida. Ao pouco que sabemos sobre o tema, juntamos uma experiência feita com animais não humanos. Os que ingeriam só as calorias de que precisavam viviam mais tempo e até o pêlo ficava branco mais tarde. Havemos de morrer magros, com o cabelo de cor natural e saudáveis. Resta saber como vamos viver.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 1-7-11

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publicado às 18:15

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 05.07.11

Bart van der Leck, The Cat, 1914

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publicado às 18:11

Ainda sobre Esopo...

por Carla Hilário Quevedo, em 05.07.11

... Robert Temple chama a atenção para a fábula 76. Conta a história de uma doninha - e não um gato - que se apaixona por um rapaz e pede a Afrodite que a transforme numa jovem e bela rapariga. Está tudo a correr bem quando, no dia do casamento, Afrodite, para a testar, larga um rato no leito nupcial. Cedendo à sua natureza mustelídea, a rapariga põe-se a persegui-lo. Terá sido o rato que confundiu os que no passado traduziram 'doninha' por 'gato'? Seja como for, a fábula ilustra a velha tese de que os animais não mudam.

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publicado às 18:09

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 05.07.11

Brigitte Bardot

 

... há dias, voltei a pegar na tradução da Penguin das fábulas de Esopo. Na introdução, Robert Temple explica que, ao longo do trabalho de recolha, leitura e tradução das fábulas, constataram - o próprio e Olivia Temple, sua mulher - que havia referências a animais que não existiam na Grécia. O caso dos leões é o mais evidente. Também não havia elefantes nem camelos. Macacos havia poucos - só os que eram mantidos como animais de estimação por gregos urbanos. Um certo tipo de cobra que aparece nas fábulas não coincide com a serpente venenosa (vulgo, víbora) existente na Grécia. E nem os gatos, que apareceram vindos do Egipto numa fase posterior a Alexandre, o Grande, eram aqueles que conhecemos. Eram mais doninhas domesticadas que felinos quidos. Resumindo, a suspeita de as fábulas serem de origem líbia é muito bem descrita na introdução, que recomendo. Não tanto por falar de Esopo, mas porque conta uma história sobre a alegria no trabalho.

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publicado às 08:38