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Dor de Cabeça: Morte ao PowerPoint

por Carla Hilário Quevedo, em 08.07.11

Em tempos fui acusada de não perceber nada de PowerPoint. Sou ainda, sem dúvida nem vergonha, culpada, e dispenso atenuantes em eventuais penas por confessar o… crime? Não é crime não saber. Mas, no caso do PowerPoint, também não é crime não querer saber. Tão-pouco é criminoso ter raiva a quem sabe. Desde que se mantenha o sorriso, não é sequer crime ter raiva a quem acusa os outros de não perceberem nada de PowerPoint. A acusação acontece um certo meio de escritório e faz parte da vida empresarial portuguesa e não só. Esta vida consiste, segundo me é dado a entender, em passar longas horas do dia especado a olhar para uma criatura que fala de temas nos quais ninguém está interessado. E é aqui que entra o famigerado PowerPoint. Trata-se de uma engenhoca inventada por uma alma empreendedora que viu nas reuniões de três horas um nicho de mercado a explorar. O PowerPoint era o instrumento ideal para manter acordados os que tinham de mostrar atenção e para proteger os que lá atrás dormiam o sono dos justamente nas tintas para diagramas. Talvez esteja a dar a impressão pouco rigorosa de não respeitar uma invenção por não saber mexer nela com a mínima competência. Não é só isso. Considero as apresentações de PowerPoint uma distracção diabólica, sem a graça do Angry Birds. O PowerPoint é uma justificação para prolongar esse flagelo da sociedade moderna a que se convencionou chamar «reunião», mas que se tornou um pretexto para estar sentado horas sem fim, na mesma sala, com mais dez ou quinze pessoas. A apoiar-me nesta senda raivosa tenho o Partido Anti-PowerPoint recentemente formado na Suíça. O seu argumento contra o PowerPoint vai ao encontro das minhas suspeitas pouco fundamentadas: o país perde cerca de 1,75 mil milhões de euros por ano nesta brincadeira empresarial. Segundo os militantes, o PowerPoint faz perder tempo e mina o entusiasmo. A maior parte não se interessa pelas apresentações e também não está a trabalhar. Força, Suíça! Hoje o PowerPoint, amanhã as reuniões.  

 

Publicado hoje no Metro.

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publicado às 17:34