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Dor de Cabeça: Justa causa?

por Carla Hilário Quevedo, em 16.07.11

(Jessica Biel está maquilhada para trabalhar no Harrods, but she would rather not.) Melanie Stark, de 24 anos, trabalhava como vendedora há quase cinco anos no Harrods quando um dia foi despedida. O motivo do despedimento nada teve que ver com a necessidade, infelizmente comum nos nossos dias, de redução do pessoal na empresa. O Harrods está de boa saúde e Melanie Stark era uma boa funcionária: só se recusava a usar maquilhagem. No entanto, o motivo que em qualquer trabalho, mesmo de atendimento ao público, não seria um obstáculo, está descrito como um dever no código de apresentação e vestuário do pessoal contratado pelo Harrods. As funcionárias dos departamentos, da perfumaria à zona dos electrodomésticos, passando pela secção da HMV, onde Stark trabalhava, «têm de estar sempre maquilhadas; base, blush, olhos (não muito carregados), batom, lápis para os lábios e gloss». A maquilhagem merece, aliás, uma atenção especial por parte dos empregadores da loja, dado que no dito código há indicações específicas para que seja retocada (discretamente, claro) tantas vezes quantas as necessárias, tendo em conta que as luzes da loja fazem com que esborrate ou até – o horror! – se esbata rapidamente. A história, que parece disparatada, foi contada com pormenores por Mary Elizabeth Williams, na Salon, e faz parte de uma discussão sobre se as mulheres devem ser obrigadas a usar maquilhagem no trabalho, apenas porque os empregadores o exigem. A regra, estranhamente não aplicada durante os anos em que a cara lavada de Stark ali pôs os pés, foi considerada «profundamente sexista» por Sali Hughes, no Guardian. O argumento é simples: uma boa vendedora não tem de estar de cara pintada. O feminismo já teve dias mais estimulantes. Mas que dá vontade de perguntar ao Harrods o que pretende exactamente vender nos seus armazéns, lá isso dá. As indicações de maquilhagem são tão precisas que parecem exprimir um gosto anormalmente específico dos autores do código de apresentação das funcionárias. Mais boca, menos olhos. Estou a ver. A frase que me vem à cabeça é: «não é nada pessoal».

 

Publicado ontem, no Metro.

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publicado às 18:48

Se você insiste em classificar

por Carla Hilário Quevedo, em 16.07.11

Meu comportamento de anti-musical

Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa nova, que isto é muito natural

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publicado às 18:40