Ninguém podia levar a mal se os católicos cometessem em massa o pecado do orgulho. É no sentido de ter orgulho dos filhos, dos pais, do país, que os católicos podem estar orgulhosos do Papa Bento XVI. Apesar de o brilhantismo das suas intervenções não ser novidade, as que vão ao encontro dos problemas sociais e culturais mostram uma sabedoria e uma preocupação tão finas que põem a Igreja Católica no centro do debate mundial. O discurso de Bento XVI no encontro com jovens professores universitários na Basílica de São Lourenço do Escorial é mais uma prova do seu brilho. O Papa advertiu os fiéis para o problema do pragmatismo e da especialização e lembrou a função essencial da universidade: a procura da verdade. O Papa falou da sua experiência como professor universitário e recordou o prazer da discussão, condenando a ideia actual da universidade como fábrica de produtos utilitários. Quando se fala de educação parece que se está inevitavelmente a falar de emprego; de licenciaturas que servem para assegurar um futuro de conforto e estabilidade. Sabemos que nem sempre acaba assim. Mas, pior, esquecemos que nem sequer devia ter começado por esse motivo.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-8-11
... já não quero fazer parte da equipa de Vitor Gaspar. Prefiro o SIS. É, aliás, urgente contratar mulheres para os Serviços Secretos. É claro que também há tagarelas e descuidadas, que não servem sequer para amigas, quanto mais para espias. Mas depois temos um género mais antigo, cujas características terei naturalmente de omitir, dado que me candidato espontaneamente a um cargo secreto. Ah, a vida de glamour que me espera nos Serviços Secretos portugueses...
Or you fall into the gap
It's a challenge but I manage
'Cause I'm cautious with the strap
Raquel Welch
... neste País só se pensa em como criar mais impostos: sobre o trabalho, sobre subsídios de férias, sobre as grandes fortunas. O Eduardo Pitta parece querer muito que se taxe o património dos ricos; nomedamente, 'o dinheiro parado' no banco. Algo me diz, assim de repente, antes de dar mais um mergulho, que este imposto é inconstitucional, como se costuma dizer. Mas, tal como o Eduardo Pitta, estou a falar do que não sei. Penso que a expressão a analisar é impostos retroactivos. É legal taxar o património que já foi sujeito a imposto? Seja como for, se a ideia do governo era fazer com que os cidadãos dessem mais dinheiro ao Estado, então até eu poderia integrar a equipa de Vitor Gaspar. Sou exímia nos mais variados tipos de contas, sobretudo nas de subtrair, embora igualmente, e dadas as condições fundamentais, nas de multiplicar. Só há um pormenor ideológico que me afasta do actual executivo: não sou socialista.
Stone (C). No Strings Attached (BAA2). The Switch (BAA1).
Monumento a Jorge Luis Borges, em Lisboa, com banco de jardim grafitado. A tradução do poema é muito boa e o polegar em modo Like! é do meu Amor.
... a Margarida Borges e o Jorge Luis Borges. Está tudo mais que ligado.
Encontrei, numa casa de infância, um prato do avô materno e livros do avô paterno.
Em Portugal somos todos primos. Basta levar a conversa para a genealogia e depressa encontramos um primo de um primo casado com a prima de um primo do nosso primo. E pronto. A qualidade de primicidade é tão desvalorizada como a de ser tia ou tio. Em geral, os tios são os amigos dos pais que conhecemos de pequeninos. A familiarização portuguesa não tem nada de mal. Mas os que são realmente nossos tios e primos deviam ficar ofendidos com os títulos oferecidos às pessoas que não têm laços de sangue autênticos connosco. Por outro lado, a banalização parental é carinhosa para os intrusos dilectos das famílias. É uma forma de lhes dizermos que deviam ser nossos parentes. Há ainda outro lado preguiçoso deste costume. Porque é que a filha da minha prima é minha prima também? A lógica hierárquica familiar devia condenar a rapariga a ser minha sobrinha e pronto. Outro efeito secundário dos laços de parentesco artificiais é uma tia verdadeira não poder partilhar o seu cargo com uma tia ad honorem e, nalguns casos, pro bono. Há dias uma muito querida tia minha olhou para mim e disse: «Tu és a filha do meu irmão». E não é que fiquei comovida com a revelação?
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 19-8-11
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