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Expósito cantado por Sosa*

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

Por eeeeeeso,
me están sobrando los consejos,
que en las cosas del amor
aunque tenga que aprender
nadie sabe más que yo...

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publicado às 14:40

Coisas que levam a outras

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

Rechiflado en mi tristeza, te evoco y veo que has sido
en mi pobre vida paria sólo una buena mujer.

 

Os versos iniciais de Mano a Mano, verdadeiro tangaço de 1923.

 

There are none whom she openly hates, for if once she suffers, or believes herself to suffer, any contempt or insult, she never dismisses it from her mind, but takes all opportunities to tell how easily she can forgive. There are none whom she loves much better than others; for when any of her acquaintance decline in the opinion of the world, she always finds it inconvenient to visit them; her affection continues unaltered, but it is impossible to be intimate with the whole town.

 

Samuel Johnson, The Good Sort of Woman, publicado a 15-3-1760 

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publicado às 14:32

Por falar em lágrimas...

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

... e porque fiquei a pensar que cada um é para o que chora, gostaria de mostrar qualquer coisa que me faz chorar. Não tenho nenhuma história a contar: é a própria escolha que é biográfica. É a letra, a voz de Gardel, numa gravação que deve ser da década de trinta. Espero que chorem tanto quanto eu a ouvir Volver, con la frente marchita, las nieves del tiempo platearon mi sien. Sentir, que es un soplo la vida, que veinte años no es nada, que febril la mirada errante en las sombras te busca y te nombra. Vivir, con el alma aferrada a un dulce recuerdo, que lloro otra vez...

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publicado às 14:15

Pela cara abaixo

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

Na contabilidade dos portugueses com sucesso no estrangeiro vamos ter de passar a incluir o escritor Valter Hugo Mãe, que foi ao Brasil e deixou uma série de senhoras a chorar. O relato de Isabel Coutinho no Público, a descrição na revista Veja, e reacções apanhadas sem querer pela internet sublinharam o facto de Valter Hugo Mãe ter convencido pela comoção o público que estava presente na Festa Literária do Paraty. Perante o frisson transatlântico, resolvi ir ver ao YouTube o que motivara a onda lacrimejante. Valter Hugo Mãe leu uma espécie de redacção emotiva sobre a sua relação com o Brasil numa terra portuguesa. Foi humilde e falou de um passado de pobrezinho. Chorou e foi aplaudido de pé. Estava grato por estar ali e quis retribuir com lágrimas. Expôs um episódio da sua infância, falou das irmãs e conquistou o público porque é assim que se conquista a multidão que está para ali virada. Teve sucesso porque tudo o que é autobiográfico e puxa à lágrima é bem recebido. Assim é nesta era de solidão. Para uma sensibilidade austera, os abusos de autobiografia e choro são repugnantes. Só toleráveis em escritores velhos e de enorme talento. O tsunami Mãe não me convenceu.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 29-7-11

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publicado às 14:07

Surpresa

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

Não é preciso dizer que não tenho simpatia pelo Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Mas antipatia à parte, ninguém lhe pode negar o direito de se expressar como entende nos meios de comunicação que a tecnologia nos oferece. Na campanha presidencial que levou Barack Obama ao poder, as opiniões foram favoravelmente unânimes quanto à eficácia da utilização das redes sociais conseguida pelo actual Presidente dos Estados Unidos da América. Mas Chávez não é tão amado como Obama. No entanto, não estará neste caso a fazer nada de muito diferente. Como sabemos, o Presidente da Venezuela tem um cancro e está a ser tratado em Cuba. Mantém informados os seus seguidores no Twitter (um milhão e oitocentos mil) sobre decisões recentes, a sua indignação com a arbitragem nos jogos da Venezuela na Copa América e outros temas, sem se referir à doença. Tudo isto é normal. Mas, pelos vistos, não chega para o Guardian. Na notícia do jornal sobre o uso de Chávez do Twitter a partir do hospital cubano, a sua actividade twitteira só é descrita como um modo de exercer o poder. Para mim, é mais simpático que isso. É uma surpresa elegante da parte dele.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 29-7-11

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publicado às 14:04

Mascarado de ideias

por Carla Hilário Quevedo, em 02.08.11

Anders Behring Breivik é um assassino. Não me interessa que se declare cristão, conservador, patriota ou o raio que o parta. Não só não há explicação que lhe valha, como não devemos perder tempo a analisar o delírio psicótico a que chama convicções. Só nos deve preocupar que o medo se instale na nossa cultura, nas nossas crenças e nas nossas vidas. Este é, aliás, o objectivo de qualquer acto terrorista. A Noruega é um país tão civilizado que nem sequer tem leis para punir com dureza estes casos excepcionais. Os noruegueses aboliram a pena de morte e também a prisão perpétua. O máximo legal possível que Breivik poderá cumprir é 21 anitos de prisão. O sacana pode estar cá fora outra vez com 53 anos de idade. Não sou pessimista, mas tenho a certeza de que há e sempre haverá muitos Breiviks por aí. Estes assassinos iluminados por uma missão fazem parte do nosso mundo. No nosso mundo, fazemos questão de sermos livres de acreditar no que queremos. E estou grata aos nossos antepassados por terem lutado por isso. Mas já que não podemos prever o horror produzido por quem perverte os nossos ideais, é nosso dever castigar sem piedade quem nos tenta intimidar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 29-7-11

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publicado às 14:01