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Dulce otium com pessoas

por Carla Hilário Quevedo, em 09.08.11

Eric Zener, Group Therapy, 2010

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publicado às 18:18

Tango em São Mamede

por Carla Hilário Quevedo, em 09.08.11

Conheci o músico de tango Ramón Maschio no passado fim-de-semana no Bar Bartelby, em Lisboa, onde encantou um grupo reduzido de espectadores. Pouco foi também o tempo de duração do espectáculo: cerca de meia hora. É sempre assim. É quando queremos ouvir mais, que o outro se cala. Mas os minutos de puro virtuosismo na guitarra que Ramón Maschio nos ofereceu ficarão na memória dos presentes. Começou com uma interpretação de «Volver», de Gardel. Não ter cantado não impediu os sabedores da letra de reconhecerem cada sílaba do tango tocado na guitarra. Seguiu para um tema que me pareceu meio brasileiro e amilongado, vagamente fadisteiro, mas que afinal era um tango de 1926, chamado El abrojito. Anibal Troilo, Roberto Grela, Piazolla... Tocou Niebla del Riachuelo, que conhecia na voz intensa de Edmundo Rivero. Tocou depois um tema de folclore argentino, cujo título não fixei, mas do qual gostei tanto como dos anteriores. Terminou com um tema da sua autoria, em que mostrou as suas referências e foi original. Ramón Maschio toca com a fadista Mafalda Arnauth. Estou por isso confiante de que voltará a Portugal para nos oferecer pelo menos mais meia hora do seu talento.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-8-11

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publicado às 18:13

Eterno masculino

por Carla Hilário Quevedo, em 09.08.11

O fenómeno português nascido no YouTube, que consiste num vídeo com um rapaz a cair do skate, merece uma brevíssima reflexão. Dei por mim a rir com as perninhas do Hélio a dar a dar no meio da erva seca junto à estrada. Não são todas as quedas que têm piada: Talvez só as que acontecem na sequência de um acto de temeridade. É por isso que Jackass, uma série da MTV em que um grupo de rapazes arrisca a vida em actos parvos, tem tanto sucesso. O público quer ver o risco escusado a ser devidamente punido pelas boas e velhas leis da gravidade. Isto partindo do princípio de que o público não é sádico nem quer assistir à morte de ninguém. Nem de Johnny Knoxville, o rei dos parvalhões. O riso também é de alívio por Hélio se ter levantado com as perninhas intactas e por Knoxville, contra todas as expectativas, continuar vivo e mais ou menos inteiro. Penso que haverá apreciadoras do género masculino tonto. É a atracção pelo oposto em todo o seu esplendor, pois a imprudência é uma característica muito mais masculina que feminina. Há mulheres que acham graça ao disparate. Outras preferem homens prudentes. São mais raros, mais inteligentes, mais perigosos. Mais femininos.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-8-11

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publicado às 18:02

Já não há homens

por Carla Hilário Quevedo, em 09.08.11

Li no New York Times um artigo sobre os arquétipos masculinos no cinema americano e concluí que os homens já não são sexy. Segundo A. O. Scott e Manohla Dargis, as personagens masculinas na tela variam entre o bebé grande, o bravo adolescente, o solteiro, o marido, o herói e o totó. Todos são apresentados como figuras assexuadas e distantes das mulheres. O bebé grande, como Zach Galifianakis, em A Ressaca 2, é um gorducho com uma sexualidade fofa. O bravo adolescente é o Harry Potter, que está mais interessado nos amigos e na tralha mágica do que na rapariga. O solteiro é invejado pelos amigos casados por causa das mulheres que vai tendo. Mas o destino do solteiro nas comédias românticas é passar a marido. Uma vez transformado em marido, a actividade sexual do ex-solteiro (pouca, nada de loucuras) é subjugado pela mulher, que o torna um ser doméstico e protegido das malandras que andam por aí de patins em biquíni. Dir-se-ia que o herói seria arrebatado e apaixonado, mas não. Só salva ou vinga meninas. Por fim, temos o totó de quem nunca podemos esperar nada. Nem na Rede Social o mago do Facebook fica com a rapariga. Ah, meu querido Marlon Brando…

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-8-11

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publicado às 17:57