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Dulce otium: segunda parte

por Carla Hilário Quevedo, em 16.08.11

Eric Zener, Gliding, 2007

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publicado às 17:36

A revolta dos polegares

por Carla Hilário Quevedo, em 16.08.11

Até há não muito tempo, a internet era celebrada como a chegada da democracia à informação e ao conhecimento. Era verdade e continua a sê-lo. Mas chegámos ao momento de ver os seus efeitos secundários, perversos ou apenas inesperados. Há vozes desesperadas com o baixo nível da crítica produzida no meio e com a crescente cultura binária de sins e nãos e infinitos itens a classificar. Temos o Facebook com os drásticos Like!, que tornam os utilizadores em pequenos imperadores romanos com os seus polegares, a decidir o destino de trivialidades, bem como a mania de dar estrelas e classificar conceitos, serviços, formas, conteúdos. Chris Colin, na Wired, critica com veemência esta forma de opinar e a consequência terrível e inevitável de não pensar. A rapidez com que se gosta de algo ou se clica numa estrela ou em cinco é mais fácil que elaborar um pensamento sobre os temas. Não é preciso saber o mínimo sobre o que se classifica. Não é requerido nenhum tipo de conhecimento. Mas isto não acaba aqui. O sistema dá a possibilidade de adoptar opiniões alheias sem esforço, sem ter de provar ou explicar seja o que for. A massa ignorante continua ignorante. Mas agora tem opinião.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 12-8-11

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publicado às 17:11

A sorte de ser feliz

por Carla Hilário Quevedo, em 16.08.11

Talvez por não terem mais nada que fazer no mês de Julho, as Nações Unidas acharam por bem declarar que «os seres humanos têm direito à felicidade». Não explicaram o que significa este «direito» num mundo onde um pedaço de pão pode dar uma imensa alegria. Apesar da silly season, a declaração foi muito pouco ou nada comentada. A frivolidade da afirmação da ONU só pode ser comparada à sua aplicação prática, que é nenhuma. Mas porque estamos a meio de Agosto, gostava de acrescentar mais uma coisinha sobre este enunciado extraordinário. A palavra felicidade vem, como quase tudo, do grego. A palavra original é eutuxía, que à letra significa «boa sorte». Desejar muitas felicidades a alguém faz sentido sem discussão. Ter direito à felicidade faz tanto sentido como dizer que temos direito a ganhar o Euromilhões. À terça e à sexta… Por qualquer estranha coincidência, o happy inglês tem uma origem parecida. O étimo está relacionado com a boa fortuna. Talvez por isso, e por mais que respeite Thomas Jefferson e os restantes autores da constituição americana, pense que foram imprudentes em estabelecer a felicidade como um direito. É possível que seja uma gralha.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 12-8-11

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publicado às 17:02