Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



...

por Carla Hilário Quevedo, em 06.09.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:17

Em Tripoli

por Carla Hilário Quevedo, em 06.09.11

Bernard-Henri Lévy foi um dos líderes dos Nouveaux philosophes, um grupo de anti-totalitários de finais de 70. BHL era o alto, giro e o único sem barriga. É filho de um milionário, foi aluno nos melhores colégios e estudou Filosofia na École Normal Supérieure. É cinturão negro de judo. Escreveu muitos livros, uns melhores que outros. Foi considerado de esquerda pela direita e de direita pela esquerda. É amigo de Mitterrand e de Sarkozy. É sionista e abraça todas as causas célebres: de Sarajevo ao Ruanda, de Paris a Nova Iorque. Nos negócios também não vai mal. Deve ser o único filósofo que qualquer mãe consideraria melhor escolha que um médico para marido de uma filha. Aos 63 anos, continua alto, giro e sem barriga. Falo dele porque vi as fotografias da visita que fez a Tripoli, de apoio aos rebeldes. Nada de estranho neste Indiana Jones da Filosofia. O que saltou à vista foi estar impecavelmente vestido com o seu fato preto e camisa branca. Gostei de uma imagem em que passeia, elegante e de cabelo ao vento, acompanhado de dois guerreiros líbios, ambos armados até aos dentes. Dada a ocasião histórica, talvez não estivesse tão demasiado bem vestido como isso.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 2-9-11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:11

Onde estava em 1940?

por Carla Hilário Quevedo, em 06.09.11

PG Wodehouse é reconhecidamente um dos maiores humoristas de língua inglesa. Criador do inútil Bertie Wooster e do seu sábio mordomo, Jeeves, o escritor foi acusado de traição por ter realizado cinco programas de rádio para os nazis, transmitidos em inglês, para os americanos, antes de entrarem na guerra. Os programas falavam do seu quotidiano de prisioneiro privilegiado. Os textos não elogiavam as virtudes do regime. O escritor foi, aliás, ilibado da acusação pelo próprio MI5, mas nunca chegou a ser informado disso em vida. Morreu em 1975. Robert McCrum, o seu biógrafo, indignado por o nome de Wodehouse volta e meia aparecer associado aos nazis, faz uma defesa amargurada no Guardian. Além de descrever Wodehouse como um homem desligado da realidade, formado no seio de uma classe social e de uma geração que perante as piores vicissitudes faziam humor ou tentavam ver o lado positivo do infortúnio, questiona a importância do episódio da vida do escritor. Como deve reagir um ser humano quando é confrontado com uma situação terrível da História e não a entende? Será que todas as nossas decisões seriam correctas? Espero nunca passar por uma situação parecida.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 2-9-11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:58

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 06.09.11

Brigitte Bardot

 

... Vitor Gaspar é, por enquanto, o ministro que me interessa ouvir neste governo. Por razões evidentes - citando Dorothy Parker, «what fresh hell is this?» -, mas também porque nunca tivemos no governo uma pessoa tão tranquila e ao mesmo tempo tão violenta na resposta aos adversários.  O estilo agressivo e furioso de Sócrates não me despertava interesse: os nervos à flor da pele, a guerra pela guerra. Gaspar é pausado, pensa nas respostas e responde sem piedade aos oponentes. A piedade é um assunto sério e a sua ausência da discussão é fundamental para chegarmos à verdade. Gaspar é ridicularizado por comentadores à direita, quem sabe se intimidados pelo vocabulário do ministro. A sua resposta ao deputado do PCP com a citação de Keynes fica para a História como a primeira vez que um ministro numa coligação de direita acusou um comunista de o ser. E os presentes no debate riram todos muito. Mas que bando de totós. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:39