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Os filhos de suas mães

por Carla Hilário Quevedo, em 13.09.11

Numa entrevista publicada na edição de Setembro da Vogue, Christine Lagarde, actual presidente do FMI, repetiu uma ideia antiga sobre a educação dos rapazes. Diz Lagarde que «os homens são os filhos das suas mães», por isso «mais mães devem educar os filhos a respeitar as mulheres e a gostar delas». Falando de como educou os seus dois rapazes, Lagarde explicou que os ensinou a ser autónomos e a não contar com nenhuma mulher para «lhes» fazer a cama ou o jantar. Christine Lagarde, a mais feminina e elegante do quarteto das mulheres mais poderosas no mundo (Merkel, Clinton e Roussef são as restantes), não cultivou nos filhos o espírito de dependência tão apreciado pelos povos do sul da Europa. É provável que a elevada percentagem de songamongas neste mundo tenha sido educada por mães que os protegeu das agruras do trabalho doméstico. Mas nenhum adulto é apenas o fruto do que lhe foi ensinado em pequenino. Se assim fosse, não havia fracassos, nem problemas. Nem pessoas; só fórmulas exactas. Imagino que estes dois rapazes são chiques e úteis como a mãe. Na verdade, a presidente do FMI defendeu na Vogue que a culpa é das mulheres. E, neste caso, tem uma certa razão.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-9-11

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publicado às 19:46

A ficção da realidade

por Carla Hilário Quevedo, em 13.09.11

Li, com entusiasmo, um artigo na New Yorker sobre a operação que resultou na morte de Osama Bin Laden, em Maio, no Paquistão. O autor, Nicholas Schmidle, fez uma narração digna de Hollywood, descrevendo os pormenores da missão, ao ponto do que o chefe operativo tinha nos bolsos. O artigo faz lembrar um guião de um filme com Bruce Willis, mas melhor. O momento alto sucede quando um dos SEALs dispara e mata Osama: um tiro no peito e outro na cabeça. Imediatamente depois comunica com a base e diz: «Por Deus e pela pátria». Grande final! Mais tarde, li que a credibilidade do autor foi posta em causa por muito boa e especializada gente. Tudo o que contou foi contestado, desde o conhecimento da operação e de pormenores sobre os participantes na acção, sem ter falado directamente com os SEALs, à veracidade desta frase final. Carol Christine Fair, professora em Georgetown e especialista de anti-terrorismo, denuncia a brutalidade da exclamação. É correcto repetir uma frase em que Deus é a razão principal para assassinar uma pessoa? A frase foi dita? Não estamos a combater extremistas que deturpam a mensagem divina? Tem razão. Mas que estava bem escrito, lá isso estava.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-9-11

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publicado às 19:40

O fotógrafo

por Carla Hilário Quevedo, em 13.09.11

Thomas Hoepker tirou uma fotografia no dia 11 de Setembro de 2001. Nela podemos ver um grupo de cinco pessoas sentadas num paredão em Brooklyn, com as nuvens de fumo das Torres Gémeas do lado oposto. Há dez anos, naquele dia comum de sol e céu azul, três mil pessoas eram assassinadas em Nova Iorque. Jonathan Jones conta no Guardian que a fotografia não foi incluída num livro sobre o 11 de Setembro porque Thomas Hoepker não o permitiu. A imagem era incómoda. Por que pareciam as cinco pessoas tão descontraídas perante o horror? Em 2006, o fotógrafo mostrou a imagem ao mundo. As críticas não se fizeram esperar. Ao grupo sentado em Brooklyn a olhar para Manhattan, bem entendido. Segundo Frank Rich, num artigo no New York Times na altura, eram indiferentes ou simplesmente americanos. A análise dura à falta de empatia dos presentes também não se fez esperar e várias pessoas saíram em defesa daqueles que afinal nada podiam fazer. Mas ninguém questionou a intenção do próprio Thomas Hoepker, importante fotógrafo da Magnum. Talvez Jonathan Jones tenha razão. A vida é feita de momentos por vezes hediondos. Alguns partem. Para outros, a vida continua.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-9-11

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publicado às 19:26

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 13.09.11

Catherine Deneuve

 

... deixar cair a Grécia significa que a Europa repudia o seu berço, a sua origem, traindo aquela a quem tudo deve. Vamos pagar por esta ingratidão repulsiva. Neste caso, literalmente. E com juros.

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publicado às 11:11