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Dor de Cabeça: Usar com moderação

por Carla Hilário Quevedo, em 16.09.11
Descoberto no Mind Map Art, via @philosophybites.

 

Tenho assistido a duas discussões paralelas sobre a importância da internet nas nossas vidas. Numa temos os viciados no meio que revolucionou as nossas vidas. Noutra estão os desconfiados, que acusam a internet de ser uma distracção na vida das pessoas. Faz falta um terceiro grupo, de entusiastas moderados. No início, pensávamos que estar horas a fio «na internet» era um substituto mais ensimesmado de passar horas em frente ao televisor. Era só um ecrã novo para um problema velho. Percebemos rapidamente que não era a mesma coisa. A televisão não exigia nada de nós, enquanto surfar na web requeria a nossa participação. No trabalho ou no ócio, a internet não nos dava nada: tínhamos de procurar. Assim percebemos que se não tivermos capacidade para distinguir informação credível ou mentirosa, por exemplo, a tarefa de procurar dados simples demora mais e é menos útil. A eficácia das pesquisas no Google encontrou um inimigo nos blogues, porque eram muitos e a maioria tinha informações falsas ou tratadas superficialmente. Os blogues eram aquelas páginas na internet em que as pessoas «perdiam tempo» juntas. Não eram viciantes só por causa da partilha de descobertas da pólvora e convicções inabaláveis. O contacto urgente com leitores, comentadores em caixas de comentários ou outros bloggers era (e continua a ser) uma parte essencial à maravilhosa actividade de blogar. As redes sociais são a expressão abreviada deste modo de relacionamento virtual, que começou por existir nos blogues, e que está reduzido a cada vez menos caracteres, até chegar ao polegar virado para cima. Talvez a facilidade no contacto contribua para manter o novo vício. Seja como for, Facebook, Twitter, etc. são mais distracções. Há uma minoria de cépticos em relação às redes sociais, que vêem os vários perigos de cair no vício da facilidade comunicativa. Repito que faz falta um terceiro grupo na conversa sobre «estar à frente do ecrã»: de entusiastas moderados. São os que percebem os riscos e hão-de saber usar com moderação as distracções que a internet nos deu.

 

Publicado hoje no Metro.

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publicado às 19:12