Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Hogarthiano

por Carla Hilário Quevedo, em 23.09.11

Ford Madox Brown, pormenor de Work, 1852-63

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:23

Dor de Cabeça: Analogicamente

por Carla Hilário Quevedo, em 23.09.11

Sempre que queremos dar importância a uma coisa, é costume usarmos analogias para o nosso interlocutor perceber melhor o que queremos dizer. O caso mais divertido desta mania de procurarmos semelhanças para nos fazermos entender é Swiss Toni, da série britânica The Fast Show. Swiss Toni é um vendedor de automóveis para quem qualquer situação do quotidiano «é como fazer amor com uma bela mulher». E assim se vai explicando, fazendo uso dos exemplos mais extravagantes. O curioso é Swiss Toni ser claro nas suas intenções. Toda a gente percebe que o seu interesse não é tanto falar de tapetes de carro como desenvolver um discurso paralelo que lhe dá realmente prazer. Pensei em Swiss Toni no outro dia, quando vi um jogo de râguebi e comecei a reconhecer passos da vida tal como nos é dada a conhecer. As regras são plenamente entendidas por quem está dentro do jogo, e como acontece muitas vezes a alguns, dava jeito que às vezes houvesse um árbitro a assinalar faltas no scrum: aquele momento em que os jogadores de ambas as equipas encaixam as cabeças nos ombros uns dos outros, com a bola a passear lá por baixo. Avançados sensíveis usam um protector na cabeça que parece um barrete. Outros arriscam mais. Aproveitando só o tom nostálgico de Swiss Toni, diria que viver é como correr com uma bola na mão, ser deitado ao chão, levantar, ser deitado ao chão, passar a bola, ser deitado ao chão, recuperar a bola, correr outra vez e marcar um ensaio. Após a marcação do ensaio, como uma espécie de bónus, há uma tentativa de conversão, que consiste em dar um pontapé na bola e tentar que acerte por cima da barra e entre os dois postes do adversário. É um momento de descanso em que não é preciso lutar para ganhar mais dois pontos. Se tentamos tirar a bola do adversário, viver é como correr atrás de quem corre com a bola na mão, tentar fazer uma placagem, falhar, cair, correr outra vez, fazer nova obstrução, roubar a bola, passá-la e inverter o curso do jogo. Isto até é fácil... Na vida é preciso ser forte e perseverante. Como num jogo de râguebi.   

 

Publicado hoje no Metro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:12