... e gosto, porque há um Angry Birds novo com um pássaro novo cor de laranja em comemoração dos 400 milhões de downloads do jogo, e que foi notícia no Washington Post.
... parece que só eu gosto do perdão de metade da dívida grega. A começar pelos próprios gregos, que acham que não há nada a perdoar, só li críticas destrutivas à decisão. Neste caso, e tendo os alemães a particularidade subtil de usar a mesma palavra para 'dívida', 'culpa' e 'pecado', não espanta o aparecimento do 'perdão'. Não espanta, mas irrita. Dá vontade de perguntar que ofensa moral afinal foi cometida por um povo e um país que obviamente não estava preparado para entrar na Zona Euro. Mas os actos apontados agora como falhas a precisar de perdão terão sido para muitos, durante anos, a oportunidade de enriquecer. Enfim, espero que me perdoem ter cedido à tentação da paranóia. Pensando em Roma, embora não em Berlusconi - penso ter chegado a hora de adoptarmos o verbo berlusconizar: olhar para uma mulher com lascívia em locais inesperados como o Parlamento; ex.: 'A intervenção do deputado social-democrata foi recebida com uma ovação entusiasta por todas as bancadas, inclusive da deputada do Bloco de Esquerda, berlusconizada pelo próprio dias antes' -, conto uma breve história sobre Caio Graco, cujos acessos de fúria lhe alteravam o tom de voz quando discursava. Andava com um escravo atrás chamado Lucínio, munido de um aparelho* que media a estridência dos sons. Quando chegava ao ponto da exaltação inaceitável, o escravo fazia-lhe um sinal para moderar o tom. E Caio Graco, que remédio, lá se controlava.
* A explicação sobre o que seria este instrumento fica para outra altura. E para outro sítio.
Them Birds é da autoria de Dan Eijah Fajardo (aka Dandingeroz) e Pedro Kramer (aka Badbasilisk). Está no Threadless.
Tenho o sonho de ligar a televisão num canal português e não mudar imediatamente para o cabo. Sonho com o dia em que sigo um noticiário de vinte minutos do princípio ao fim, fazendo um zapping ligeiro, embora inevitável. Não é um sonho impossível de realizar e parece que noutros países prevalece o admirável bom senso de não estafar o pobre do espectador com blocos de informação de mais de uma hora que incluem reportagens sobre a actividade sexual das pessoas com deficiência ou acerca dos restaurantes que sobrevivem à crise porque estão abertos até às três da manhã. Pergunto se as direcções de programas dos canais portugueses terão dado por garantida a fuga de cérebros do País. Só esta certeza a respeito do nível intelectual do público explica a falta de empenho em cativar quem saiba ler e escrever. Sonho com o dia em que assisto a um programa de comentário da actualidade política portuguesa sem acabar com palpitações. Ainda persisto na Quadratura do Círculo e no comentário ao domingo de Marcelo Rebelo de Sousa, mas no limite das minhas forças, com a cor a desaparecer das faces de rapariga sadia e as pernas a tremer, mesmo estando sentada ou deitada no sofá. É muita pressão. É muita ansiedade. É, enfim, o País revelado ao povo como um buraco sem fundo, sem futuro nem esperança. Não são para distrair. A excepção que encontro nos outros programas de conversa sobre o presente - não é sempre demasiado cedo para falar do presente? – é a Prova dos Nove, na TVI 24. Há ali uma harmonia entre os quatro que é independente das opiniões de cada um. E gosto da subtileza, da cautela, do humor de José Medeiros Ferreira, que não é previsível nem óbvio no que diz. É refrescante de ouvir, sobretudo num tempo em que os sinceros são brutos, os pessimistas são cínicos e o resto insiste num discurso de indignação monótono. Sonho com o dia em que me entusiasmo com uma série portuguesa. Sonho com o dia em que volto a suspirar por um programa português de humor. Até lá, tento sobreviver o melhor que posso com a HBO e a Showtime. Se não fosse a ficção, meu Deus…
Publicado hoje no Metro.
Por motivos imprevistos, o Alberto Gonçalves não poderá estar presente na sessão de hoje do Café dos Blogues. O maradona, o Luciano Amaral e eu vamos estar à conversa sobre blogues e redes sociais na Almedina do Atrium Saldanha, às 19h. Até lá!
Argumento contra o fim dos blogues: Contra Mundum, do Francisco Mendes da Silva.
Carla Gugino
... muitos parabéns à Grécia e aos gregos. Por fim, algum bom senso na União Europeia. Não percebo os pormenores da operação complicada de os bancos perdoarem cem mil milhões de euros de dívida, e até tenho uma vaga impressão, baseada numa suspeita infundada, de que não é suficiente, mas por agora celebremos a boa notícia. Só não gostei de ver Giorgos Papandreou a chegar à Cimeira de mão estendida e cabeça baixa. O que lhe valeu foi o domínio da língua inglesa (educado na América) que acompanhava o tom de derrota. A culpa dos gregos, no meio disto tudo, é relativa.
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