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Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 04.10.11

John Singer Sargent, A Boating Party, 1889

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publicado às 18:33

Assim também eu

por Carla Hilário Quevedo, em 04.10.11

Em Meia-Noite em Paris, Gil Pender (ou Owen Wilson no papel de Woody Allen) regressa à gloriosa década de vinte em Paris e conhece tout le monde; de Hemingway, Fitzgerald a Picasso, Gauguin e Buñuel. A ideia do filme é simpática à maioria: que bom seria se, com o que sabemos hoje, pudéssemos visitar uma época que consideramos extraordinária e aí nos sentássemos à mesa com os nossos ídolos. A escolha de época do realizador seria comum a muitos, só a reacção dependeria de cada um. No caso de Gil Pender, é irresistível para um escritor que o seu manuscrito seja lido por Gertrude Stein ou Ernest Hemingway. É um sonho! Tudo corre lindamente e com piada até ao momento em que Pender se aproveita de um conhecimento do futuro para se vangloriar no passado e piscar o olho ao presente, dando a ideia de O Anjo Exterminador a Luis Buñuel, que fica confuso e pergunta o mesmo que qualquer espectador: porque é que os convidados não conseguem sair da sala? A graça de o realizador não perceber uma ideia que sabemos ser sua desvaloriza a gravidade ética de um intruso do futuro usar informações privilegiadas na época errada. Teve graça e não me alegrou.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-9-11

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publicado às 18:24

Fazer amigos

por Carla Hilário Quevedo, em 04.10.11

Roger Ebert é um célebre crítico de cinema e autor de vários livros, que comecei a seguir por causa do Twitter. A sua participação intensa na rede social é descrita num artigo que escreveu para o Chicago Sun-Times com um título plutarquiano ou dalecarnegieano: How to win friends and influence people. Explica que twitta sobre acontecimentos invulgares ou para partilhar descobertas curiosas na internet. Até aqui tudo normal para alguém que tem um comportamento profissional na rede. É marcadamente liberal mas é raro cair na facilidade de insultar o Tea Party, escreve bastante sobre cinema e quase todas as semanas descobre fotografias extraordinárias com as estrelas de que mais gosto. Numa das últimas imagens vimos Rita Hayworth a abraçar uma bomba. É generoso na partilha e a dar conselhos sobre como participar no Twitter. Destaco duas advertências suas: não twittar banalidades como «estou a comer uma sopa fria» e não twittar sobre programas de televisão, porque há pessoas que não estão a ver o mesmo. Roger Ebert diz isto porque não tem cozinheiros na timeline nem nunca viu um programa em companhia twitteira. Ele que venha para cá.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-9-11

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publicado às 18:15