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Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 05.11.11
Maurizio Nannucci, Never Move Far From Color, 2011

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publicado às 10:03

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 05.11.11

Katharine Hepburn

 

... parece que passou a última crise na supercrise da Grécia: a proposta de referendo de Giorgos (Jorge) Papandreou. Por um lado, gostei do espasmo de dignidade do primeiro-ministro grego. Serviu para recentrar a discussão num ponto fundamental: quem sofre com a austeridade é quem tem de a pagar, e não é bem verdade que todos tenham culpas no cartório. Nem mesmo na Grécia, onde o pagamento de impostos é uma actividade pouco praticada. Às vezes, penso que o que nos salvou - se continuam a achar que a Grécia e Portugal são semelhantes, pois continuam enganados - foi a nossa situação geográfica tão isolada. De onde se vai daqui? (Para Nova Iorque, bem sei.) Temos saída que baste para o mar, mas não temos a Turquia e o Médio Oriente em frente. Vasco Pulido Valente referia na crónica de ontem este ponto essencial sobre o interesse da Europa e dos Estados Unidos na Grécia. E depois vieram os bancos estrangeiros, que ajudaram a afundar ainda mais o país com os activos tóxicos, que imagino como uma aldrabice parecida com a venda da Ponte sobre o Tejo. Como já disse, a culpa dos gregos - que a têm também porque pouco pronunciam a palavra «factura» - é relativa. Voltando ao episódio relâmpago do referendo, depois de o ver tão suplicante, gostei do murro na mesa de Papandreou. Mas depressa percebemos as consequências deste acto. Qual seria a pergunta? «Aceita a ajuda externa e o novo pacote de austeridade?» Apesar de os gregos estarem mais envolvidos e interessados nas decisões políticas do que nós, imaginem a discussão que não teria de ser feita até que se percebesse o que estava em causa. Isto não é minimizar o povo grego: estou só a ser razoável. Espero que não tenham esta ideia louca em Portugal e não desatem a referendar questões sobre a moeda única, os impostos, tranches de triliões, a presença do FMI no País e coisas do género. Não é que o conhecimento seja inacessível, mas há um limite normal e até saudável para a compreensão de certos assuntos. Para não parecer anti-democrática, aviso que não faço a mais pequena ideia se é melhor saírmos da União Europeia ou não. E fico espantada com a quantidade de pessoas que sabe perfeitamente que é mau sair e bom ficar ou bom sair e mau ficar. Mas aceito, sem ironia, as minhas limitações.    

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publicado às 09:13