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Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.11

John Singer Sargent, Six Studies for Gassed, 1918-19

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publicado às 18:47

Horror

por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.11

As imagens televisivas da morte violenta de Muammar Kadhafi invadiram as nossas casas. Não houve dia em que não fôssemos obrigados a ver a brutalidade da morte do ditador líbio. Penso que a exibição das imagens foi suficientemente criticada e concordo que o desejo de as repetir ad nauseam tem que ver com a exploração do pior que há no ser humano. Os vícios são úteis quando chega a hora de ganhar dinheiro. Só tenho um ponto a acrescentar à conversa que vai longa e que corre o risco de se tornar mais sobre o papel da comunicação social do que sobre a amoralidade da guerra. A guerra é para muitos como o frango embalado no supermercado. Sabemos que o animal tem outro aspecto quando anda à solta pelo campo, mas não nos lembramos dele. O ponto menos negativo da repetição das imagens é a exibição nua e crua da irracionalidade odiosa da guerra: a sobrevivência ali depende de matar quem matou e nos quer matar. Haverá inferno pior? O que teriam feito a Hitler caso o tivessem capturado com vida? A diferença teria sido não haver telemóveis para filmar a cena e descarregar no YouTube. A guerra é uma coisa horrível. E é indiferente se é feita por «nós» ou por «eles».

 

publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-11-11

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publicado às 18:45

Todos suspeitos

por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.11

A história do bom pai, bom marido e bom vizinho, excelente pessoa e muito simpático, que se vem a descobrir ter morto uma série de gente, é mais comum do que imaginamos. Mary Ellen O’Toole, especialista em perceber o modus operandi e a personalidade dos assassinos (aquilo que conhecemos como um profiler), trabalhou durante trinta anos no FBI e interrogou homicidas, entre os quais o conhecido terrorista Unabomber, responsável por vários atentados à bomba nos Estados Unidos. Em comum tinham uma característica: eram todos agradáveis, não diziam asneiras, não partiam um prato. O’Toole acaba de publicar um livro intitulado Dangerous Instincts, com as conversas com os assassinos e algumas curiosidades sobre o trabalho dos investigadores. Segundo a ex-agente do FBI, o erro mais frequente dos agentes era confiarem no seu instinto. Por candura ou confiança a mais, era comum libertarem os suspeitos pacatos só por terem aquela atitude. O’Toole fala de eventos passados entre meados da década de 70 até ao início dos anos 90. Foram vinte anos a confiar em carinhas larocas. Nada disto é novo, mas perturba quem está habituado a associar um sorriso louro a uma índole pacífica.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 4-11-11

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publicado às 18:42