"(...) quando os parricidas e os assassinos são castigados, não há homem honesto que sinta pena; deve até alegrar-se em tais casos, assim como naqueles em que os êxitos estão de acordo com o mérito: ambas as coisas são justas e causam prazer ao homem honrado, porque, necessariamente espera que o que aconteceu ao seu semelhante lhe possa acontecer também a si."
Aristóteles, Retórica, 1386b, tradução de Manuel Alexandre Júnior, INCM, 2005, p. 187.
A rapariga: a Maria João.
O rapaz: A Causa Foi Modificada.
Blogue do ano: Contra Mundum.
Post do ano: O Abc de 2011, do Tiago Cavaco.
Dois blogues muito bons: O Meu iPad Veste Prada e Mesa Marcada.
Rede social: o Twitter.
Um site: Gawker.
O melhor electrodoméstico: o iPhone 4S e uma Siri que não entende o inglês de ninguém.
Melhores jogos: Angry Birds, sempre. Tiny Wings.
App mais divertida: Human To Cat.
Cabelo do ano: o da Katy Perry (em nova), em The One That Got Away.
Tema do ano (acumula com pior vídeo): Countdown, da Beyoncé.
Outro tema do ano: Born This Way, Lady Gaga.
Uma exortação pimba em inglês: Grab somebody sexy tell'em hey.
Mais um tema do ano: Party Rock Anthem, LMFAO ft. Lauren Bennett, GoonRock.
Um par de sapatos: sabrinas femininas de salto alto Zara, em verde, preto ou amarelo.
Um vestido de noiva: o romântico John Galliano da Kate Moss.
Personalidade menos comercial pelo segundo ano consecutivo: Papa Bento XVI.
Personalidade do ano: Barack Obama.
Um acontecimento: a morte de Bin Laden, com o corpo deitado ao mar.
A passagem: "(...) uma grande adversidade serve para provar não só, como diz Eurípides, quem são os amigos, mas também os generais sensatos." Plutarco, Vida de Fábio Máximo, 17.4, tradução de Ália Rosa Conceição Rodrigues, Coimbra, p. 212.
Filme do ano: estou com esperança no Carnage do Polanski.
Uma série: The Killing.
Masculino: Eli Gold, John Luther, Raylan Givens.
Feminino: Sarah Lund, Alice Morgan, Zoey Barkow.
Um ciclo de cinema doméstico: Fred Astaire.
Duas bebidas: água das pedras e Coca-Cola Zero.
Os restaurantes: o nosso sítio antigo e o nosso sítio novo.
Coordenei e moderei ao longo do ano uma série de debates sobre blogues na Almedina do Atrium Saldanha. As conversas foram, todas elas, estimulantes e tiveram aquilo a que se chama uma 'boa onda'. Deixo aqui os meus agradecimentos ao maradona, à Fátima Rolo Duarte, ao Luís M. Jorge, ao Manuel Falcão, à Ana Cristina Leonardo, ao João Gonçalves, ao Pedro Mexia, ao João Pereira Coutinho, ao Pedro Lomba, à Ana Margarida Craveiro, ao Tiago Cavaco, ao Jansenista, à Ana Matos Pires, à Fernanda Câncio, ao João Pinto e Castro, ao Luciano Amaral, ao Hidden Persuader, à Maria João Nogueira e ao Pedro Neves. O público também ajudou, obrigada. Até para o ano!
Isabelle du Toit, Cardinals, 2008
Et c'est bien in vain qu'on l'appelle
Segundo Jorge Luis Borges, se fôssemos imortais acabaríamos por escrever a Odisseia ou a Ilíada. Contra nós temos, não a falta de talento para produzir obras grandiosas, mas uma incomensurável falta de tempo. Assistindo aos dois primeiros episódios da série New Amsterdam, cedida pelo canal MOV, percebi que Borges, no seu solipsismo, se esqueceu de um pormenor no seu plano de imortalidade: os filhos. Escreveríamos obras grandiosas e teríamos filhos e netos e bisnetos que veríamos crescer e morrer antes de nós. É o que acontece a John Amsterdam, detective da polícia de Nova Iorque, que morreu há 400 anos, quando era um soldado holandês em Nova Amesterdão. John morre ao salvar uma rapariga índia da morte certa, mas ela cura-lhe a ferida e promete-lhe que não envelhecerá nem morrerá até encontrar o amor da sua vida. John tem o aspecto de um homem de 35 anos. Há 15.965 dias que não bebe álcool, teve 609 namoradas e vai no 36.º cão, a que chama, convenientemente, 36. Apesar das mulheres que foi amando, ainda não encontrou aquela que o matará. A possibilidade que New Amsterdam apresenta é a de que o par certo existe. O problema é a mortalidade.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-12-11
Elizabeth Taylor
Jingdong Shen, Santa Claus, 2009
O Natal é tipicamente uma época de pedidos e desejos. As sugestões e os conselhos ficam adiados para a semana que antecede o novo ano. Antes de entrarmos com o pé direito no 2012 que se adivinha particularmente difícil para o País, aproveitemos o momento de pausa para reflectirmos sobre a nossa conduta pessoal. Em tempos de apelo à reunião de forças para superar as dificuldades nacionais é bom lembrar que uma união robusta não se faz sem indivíduos com características diferentes e objectivos comuns. Pelo menos, num regime democrático. É a pensar em cada um de nós, individualmente, integrado numa sociedade que vive momentos de incerteza económica, que vos falo da lista de 30 Coisas Que Devemos Parar de Fazer a Nós Próprios, publicada no blogue Mark and Angel Hack Life. Segundo os autores desta lista de indicações práticas para mudar a tendência para atrasar a vida, há trinta aspectos importantes que devem ser levados em conta no processo de desenvolvimento individual. Todas as advertências têm que ver com a nossa relação com os outros. Mesmo quando a sua existência não é manifestada na indicação, são os outros que nos levam à necessidade de mudar. Comecemos, para este efeito, pelo trigésimo e último ponto da lista: «Pára de ser ingrato». A última da lista é, neste caso, a melhor. Os motivos por que devemos parar de ser ingratos não são bem explicados na lista, por isso é preciso acrescentar que a gratidão não se resume a agradecer pela nossa vida, mas que essa gratidão também nos é devida no esforço diário que fazemos, no nosso empenho, no entusiasmo que dedicamos ao nosso trabalho. Os agradecimentos devidos aos que nos ajudam (amigos, colegas, etc.) também os devemos a nós próprios. Sermos gratos a nós mesmos está de certa forma no mesmo grupo de indicações como: «Pára de criar ressentimentos» ou «Pára de sentir pena de ti próprio». Uma pessoa sem pena de si própria e que não tem rancores tem a capacidade de se perdoar a si mesma e é livre. E quem é livre não tem medo de ser grato. Feliz 2012 para todos nós.
Publicado hoje no Metro.
Parece que ainda ontem falávamos dos malefícios de estarmos tanto tempo na internet, mas entretanto passou uma década. Em 2001, 16 por cento de jovens adultos afirmavam estar na rede para passar o tempo ou à procura de coisas divertidas. Agora são 81 por cento. Quanto mais estudos e mais dinheiro têm os utilizadores, mais tempo demoram à frente do ecrã sem fazer nada. As conclusões são da Pew Research Center, sediada em Washington. O clássico ócio criativo, que é como quem diz estar a não fazer nada de produtivo ou concreto, deitado ou a passear, passou a ser um ócio cibernético tão criativo, ou não, como aquele que os filósofos estimulavam. Divagar na internet é potencialmente tão útil como inútil, dependendo da pessoa que o faz. Não fazer nada de especial no computador pode explicar a existência de tantos vídeos no YouTube com gatinhos. Pode ser igualmente um incentivo para começar a fazer melhores vídeos de gatinhos. Estar à frente do ecrã deixou de ser reprovado socialmente. Na verdade, passados estes dez anos, a internet está por fim instalada nosso dia-a-dia. Como o café, o tabaco, o tomate e a batata faziam parte da vida das pessoas no século XVIII.
Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-12-11
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