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Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 09.12.11

Veasey_Nick-Jimmy_Choo_Shoes_2006

Nick Veasey, Jimmy Choo Shoes, 2006

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publicado às 17:14

Dor de Cabeça: Galochas

por Carla Hilário Quevedo, em 09.12.11

Não há estação do ano que escape à sua própria moda. É vantajoso para o comércio que o que esteja a dar hoje seja o passado de amanhã. O benefício maior é aparecerem no fim de cada estação as tendências da estação idêntica e seguinte. São peças de vestir e calçar que aparecem com os últimos raios de sol ou no último dia de frio e que ficam na nossa memória para mais tarde comprar. No Inverno do ano passado, por exemplo, tínhamos ficado com a ilusão de que não chegáramos a tempo de sermos mais uma das felizes proprietárias de um par de botas-pantufas australianas autênticas ou mentirosas. Agora que chegou o frio, aí estão as ditas botas-pantufas por todo o lado, a amortecer e a agasalhar os pés femininos. Vemo-las em mel, em cinzento, com botões de lado ou sem, de cano mais alto ou mais curto; há para todos os gostos. Tinham ficado do ano passado na nossa memória e agora fazem parte do quotidiano citadino e rural. No próximo Inverno, se Deus quiser, não as vamos mais poder ver à frente. Mas só para o ano. Por enquanto, gozemos o conforto destas botas de trazer por casa, de preferência com o pijama de flanela a acompanhar. São boas para dormir, e dormir, às vezes, é preciso. Mas se as botas-pantufas resistem ao teste do toda-a-gente-tem, o mesmo não acontece às grandessíssimas chatas das galochas. Lembro-me de receber as primeiras galochas inglesas no Outono de 2010 com simpatia e bom humor. Agora que as vejo instaladas em qualquer perna magra ou gorda, alta ou baixa, dou por mim a ansiar pelo Verão quando ainda há pouco suspirava pelo frio, é sempre assim. Não gosto das verdes, ainda menos das cor-de-rosa e nem as discretas azuis escapam. Não as suporto às bolinhas, nem com desenhos. São boas para crianças e adolescentes. As de cano curto têm o limite dos dez ou onze anos. As de cano alto podem ir até aos vinte. Mas depois da maioridade dos 21, não há galocha que se apresente. Tenho esperança de a moda não voltar para o ano porque todas as manias cansam e a febre galocheira não será excepção.

 

Publicado hoje no Metro.

 

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publicado às 17:06