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Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 16.12.11
Yoshitomo Nara, Silent Violence, 2003

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publicado às 19:08

Dor de Cabeça: A22

por Carla Hilário Quevedo, em 16.12.11

Uma semana depois da entrada em vigor do pagamento das portagens na A22 ou Via do Infante, os pórticos voltaram a ser vandalizados com tiros de caçadeira e fogo ateado às caixas do sistema eléctrico. Os vizinhos da zona dizem «compreender» as reacções dos que se manifestam contra o pagamento de portagens, mas não aprovam a violência. Num País verdadeiramente democrático, ninguém pode apoiar actos violentos. Mas há que lembrar que, desde que se aperceberam de que «austeridade» não é uma figura de retórica como «transversal», «paradigma» e outras usadas a propósito de tudo e nada, os políticos e comentadores televisivos andam a pressagiar a violência nas cidades portuguesas. Austeridade significa sofrer. Se assim não fosse, a palavra não seria mencionada noutros contextos, como o religioso, como característica de uma vida piedosa e admirável. Há que reconhecer que, até agora, o povo português se tem comportado de modo exemplar face a uma realidade difícil de aceitar e até compreender. Até agora, não assistimos aos profetizados tumultos populares, não vimos montras partidas e ninguém tem mais medo de sair à rua agora do que tinha antes. O caso dos pórticos das portagens e das caixas do sistema eléctrico terá sido isolado e foi obviamente inútil. O ataque será obra de pessoas que se sentem impotentes face ao que consideram uma injustiça social, financeira ou laboral. Imagino um grupo de algarvios a discutir as danadas das portagens no café. Um deles, farto de tanta concórdia sentada e furioso com a falta de solidariedade das autoridades locais e nacionais, terá dito: «Ai isto é assim? Então vão ver como elas doem!». E lá foram de armas de caça em punho esburacar a tecnologia ladra. Bum, bum, bum! Toma lá que já almoçaste! Tinha sido mais simpático se não tivessem usado armas. Se calhar não havia nenhum electricista no grupo de indignados. Caçadeiras à parte, visto que a A22 é útil e segura, não era possível deixar a SCUT como estava? E se não dava, não podem ao menos facilitar o pagamento? Com serviços mais atentos e personalizados, como nas Finanças, onde são tão carinhosos quando vamos lá pagar…

 

Publicado hoje no Metro.

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publicado às 19:06