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Como no século XVIII

por Carla Hilário Quevedo, em 20.12.11

Parece que ainda ontem falávamos dos malefícios de estarmos tanto tempo na internet, mas entretanto passou uma década. Em 2001, 16 por cento de jovens adultos afirmavam estar na rede para passar o tempo ou à procura de coisas divertidas. Agora são 81 por cento. Quanto mais estudos e mais dinheiro têm os utilizadores, mais tempo demoram à frente do ecrã sem fazer nada. As conclusões são da Pew Research Center, sediada em Washington. O clássico ócio criativo, que é como quem diz estar a não fazer nada de produtivo ou concreto, deitado ou a passear, passou a ser um ócio cibernético tão criativo, ou não, como aquele que os filósofos estimulavam. Divagar na internet é potencialmente tão útil como inútil, dependendo da pessoa que o faz. Não fazer nada de especial no computador pode explicar a existência de tantos vídeos no YouTube com gatinhos. Pode ser igualmente um incentivo para começar a fazer melhores vídeos de gatinhos. Estar à frente do ecrã deixou de ser reprovado socialmente. Na verdade, passados estes dez anos, a internet está por fim instalada nosso dia-a-dia. Como o café, o tabaco, o tomate e a batata faziam parte da vida das pessoas no século XVIII.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-12-11

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publicado às 20:30

Donna Karan goes Mugatu

por Carla Hilário Quevedo, em 20.12.11

Zoolander é um grande filme, porque está sempre actual: Donna Karan criticada por promover artigos de luxo num cenário de miséria.

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publicado às 20:27

Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 20.12.11

Heartfield, 1935

John Heartfield, Also a Propaganda Minister, 1935

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publicado às 19:50

Palavra do ano: maldade

por Carla Hilário Quevedo, em 20.12.11

Quando o Pedro Neves me enviou a lista das cem palavras mais repetidas em 2011 no universo dos blogues do Sapo, percebi que aquela sobre a qual gostaria de escrever se encontrava esborrachada entre a 'vibração' que nos faz tanta falta e um misterioso 'dawn'. A tristemente célebre 'austeridade' surgia num modesto 53.º lugar, talvez por termos acordado tarde para uma realidade à qual se estava mesmo a ver que não escaparíamos. A 'austeridade' não é, na verdade, uma palavra de 2011, mas de 2012, 2013 e muito provavelmente de parte de 2014, isto numa perspectiva astrológica optimista. resolvi desistir dela quando, ao percorrer a dita lista, entre uma série de nomes próprios, de ditadores a artistas famosos ou precocemente desaparecidos, encontrei duas palavras 'esquisitas' no conjunto. A primeira foi 'maldade', num respeitável 28.º lugar, e a segunda foi 'Sagitário', em 97.º. Como não conheço bem as características daqueles que nasceram entre 22 de Novembro e 21 de Dezembro, a não ser que devem ser mais narcisistas ou fascinantes aos olhos dos outros, fiquei fixada na 'maldade', ali tão bem posicionada no primeiro terço da lista. A preocupação com a maldade num universo por natureza hostil como é a internet, sobretudo os blogues, é uma óptima notícia nos dias que correm. Pode querer dizer que as pessoas reconhecem uma realidade que aparece desculpada com a doença ou com a 'personalidade' de cada um. Assumir desta forma clara a existência da maldade pode ser uma admissão de que todos somos capazes de a cometer. Os seres humanos são bons e maus, etc. Outra possibilidade é estarmos mais atentos às imagens de maldade, quer nas séries de ficção com maus que criam uma empatia incómoda com o espectador (os casos de Dexter e do par Luther e Alice Morgan), quer no contacto diário com imagens reais de guerras e violência nos telejornais. A 'maldade' está por todo o lado. A boa notícia é não haver maldade sem bondade no mundo. A única forma de reconhecermos o que não serve é conhecermos o seu contrário. Só que a bondade não é gira nem enérgica, por isso nunca teve bom marketing. Mas existe. Descansem os sagitários, os troikistas, os austeros e os outros.  

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publicado às 13:02