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Tal como a terapia, a poesia

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.12

'On the one hand, psychoanalysis is practical in the sense that there is an attempt to solve a problem, or to cure somebody, or at least to address their suffering. But the other thing that psychoanalysis does is that the project is to enable somebody to speak. It's the attempt to create the conditions in which somebody can speak themselves as fully as possible.'

 

Adam Phillips, numa breve entrevista a The Economist.

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publicado às 17:25

I'm laughing at clouds

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.12

So dark up above

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publicado às 09:42

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.12
Marilyn Monroe

 

... muito foi ridicularizada Assunção Cristas por dizer que tinha fé que chovesse. Embora as minhas dúvidas religiosas nunca tenham sido de fé, não sou a pessoa indicada para avaliar a crença da ministra. Mas reparem: ninguém é. Ninguém, a não ser o próprio crente. A última pessoa a fazer uma investida demasiado agressiva a Cristas foi Clara de Sousa, que, no notíciário da SIC, abriu a entrevista com uma frase como: 'Afinal isto não se resolve com uma questão de fé, como disse'. Estou a citar de memória, mas o tom não foi simpático, pelo contrário. Por respeito à entrevistada, não devia mencionar uma questão que é obviamente pessoal. Quereria que apresentasse provas? O bullying não acontece só nas escolas com meninos pequenos. Também se passa nos que não estão dispostos a aceitar que os outros tenham as suas crenças pacíficas. Parece que Cristas cometeu um crime quando disse que tinha fé que chovesse. O País está cheio de gente tolerante... 

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publicado às 09:29

You decide alone

por Carla Hilário Quevedo, em 30.03.12

But no one is alone

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publicado às 14:59

Dor de Cabeça: Lloret del Mar

por Carla Hilário Quevedo, em 30.03.12

Se a memória não me falha, no meu tempo não era assim. Mas um 12.º ano atípico, concluído numa escola diferente do liceu onde passei grande parte da minha adolescência, pode ser o responsável pelas quase nenhumas recordações que tenho de hipotéticas viagens de finalistas. No liceu? Não me lembro de haver planos nesse sentido, mas, repito, se calhar não estive atenta. Ou, então, a ideia de passar uma semana num sítio de nome ameaçador como Torremolinos, com uma série de gente que me era estranha, me pareceu tão desagradável que a apaguei da minha memória. Penso, no entanto, que as viagens de finalistas de liceu têm uma importância cada vez maior para os adolescentes, mas são motivo de notícia pelas piores razões. Correndo o risco de parecer uma velha do Restelo, diria que, com as necessárias excepções, não percebo os divertimentos preferidos dos miúdos de hoje. Não faço ideia do que haverá de divertido em beber até ficar inconsciente no meio da rua às dez da noite. Não sei como poderá ser engraçada a estadia daqueles que saltam de varanda em varanda, arriscando a vida por nenhuma razão a não ser a de se mostrar mais ousado ou ser eleito O Mais Palerma entre os palermas dos colegas. Não entendo o que leva uma pessoa, mesmo com 16 ou 17 anos, que não sabe quem é nem do que é capaz, a atirar-se para a piscina da varanda do quarto. Terei afinal 70 anos em cada perna. Pois do alto dos meus esbeltos 140 anos, recomendo um litro de sensatez nas brincadeiras perigosas destas viagens. A última notícia que tivemos é tão triste que a guardo para o fim. Um rapaz de 17 anos morreu em Lloret del Mar na sequência de uma queda. Pode ter sido um acidente, mas não devia ter acontecido.

 

Publicado hoje no Metro.

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publicado às 14:56

Adrienne Rich (1929-2012)

por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.12

What Kind of Times Are These

 

There's a place between two stands of trees where the grass grows uphill

and the old revolutionary road breaks off into shadows

near a meeting-house abandoned by the persecuted

who disappeared into those shadows.

 

I've walked there picking mushrooms at the edge of dread, but don't be fooled

his isn't a Russian poem, this is not somewhere else but here,

our country moving closer to its own truth and dread,

its own ways of making people disappear.

 

I won't tell you where the place is, the dark mesh of the woods

meeting the unmarked strip of light—

ghost-ridden crossroads, leafmold paradise:

I know already who wants to buy it, sell it, make it disappear.

 

And I won't tell you where it is, so why do I tell you

anything? Because you still listen, because in times like these

to have you listen at all, it's necessary

to talk about trees.

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publicado às 23:27

'I love your painting'

por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.12

George Stubbs, Mares by an Oak Tree, 1764

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publicado às 14:18

All it has to be is good

por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.12

And George, you're good
You're really good
George's stroke is tender
George's touch is pure
Your eyes, George
I love your eyes, George
I love your beard, George
I love your size, George
But most, George, of all
But most of all
I love your painting

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publicado às 14:14

Sempre bem

por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.12

Há dias tiveram o atrevimento de me perguntar qual é o meu tipo de homem. Respondi que era um pouco mais alto do que eu, com cabelo, bigode e barba de cor castanha clara, os olhos castanhos não muito escuros e um sotaque castelhano. Ou seja, George Clooney não é o meu sonho, mas concordo que é um belo rapaz. No entanto, talvez as suas maiores qualidades sejam a sua inteligência e sentido da decência. Clooney não é a típica estrela frívola de Hollywood. Mas também não é o activista chato como a potassa, ao estilo de Sean Penn ou Susan Sarandon. Vimo-lo há pouco em Washington a ser levado para a esquadra com algemas, por ter estado a protestar à frente da Embaixada do Sudão contra a crise humanitária devastadora no país. Até ficámos a conhecer o pai, que o acompanhou na manifestação. Clooney sorriu para as câmaras e chamou a atenção para o problema tal como pretendia, afastando a curiosidade mediática de si próprio. Disse apenas que o tempo que passara na prisão tinha sido «agradável». O tom de descontracção deixa antever um modo de vida cool. Que bom seria se todos os activistas fossem assim: tranquilos, elegantes, civilizados, com sentido de humor…

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-3-12

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publicado às 14:11

Moscas compensadas

por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.12

Uma equipa de cientistas na Universidade da Califórnia fez a seguinte experiência com moscas. Numa caixa foram colocadas fêmeas que seriam não só virgens, mas também receptivas às investidas dos machos. Noutra caixa, as fêmeas estavam satisfeitas na sua vida de moscas adultas e nem olhavam para os machos que ali estavam à sua disposição. Após o encontro, foi dada uma certa quantidade de álcool a todos os machos: os primeiros recusaram a bebida e os segundos apanharam uma bebedeira. A experiência parece sugerir que, pelo menos nas moscas, haverá um químico no cérebro que as faz procurar uma compensação para o que lhes falta. Os cientistas não tardaram a querer inventar se a espécie humana funcionaria da mesma maneira. Assim de repente, sem experimentar nada com ninguém, diria que não. Nem mesmo nos casos dos que bebem para esquecer. A vida humana não é assim tão estúpida nem o problema do alcoolismo se resume à falta de sexo. Prefiro pensar em maneiras mais originais de apanhar moscas. Assim a experiência tem consequências úteis para o nosso quotidiano. Já sabemos há muito tempo que não se apanham moscas com vinagre. Hei-de experimentar com Tullamore Dew.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-3-12

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publicado às 14:08

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