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Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 30.05.12

Lisa Milroy, Party, 2002

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publicado às 15:01

A melhor das notícias

por Carla Hilário Quevedo, em 30.05.12

Ainda ontem, no Público de hoje
 
Desmorrer
Por Miguel Esteves Cardoso
 

Desta vez, a Maria João teve sorte. Nunca tinha visto uma médica a chorar. Foi a Maria João que puxou as lágrimas, quando a Dra. Teresa Ferreira lhe disse que não havia mais metástases dentro dela. Ficámos os três a chorar e a olhar para os outros olhos a chorar.

 

A minha amada já tinha esquecido o futuro. Já não queria saber da casa nova, do tecido para forrar os sofás, do Verão seguinte. Estava convencida que estava cheia de metástases. Doía-lhe o corpo todo. Tinha desanimado. Estava preparada para a morte. Só a morte é mais triste. Tinha-se preparado para ouvir o que já sabia, para não se assustar quando lhe dissessem que o cancro na mama tinha voltado e que se tinha espalhado por toda a parte.

 

Depois - mas não logo, porque não é de momento para o outro que se desmorre - voltou a ver vida pela frente. Reapareceu um horizonte e um caminho até lá, com passos para dar. "São tão raras as boas notícias", disse a médica, "e é tão bom dá-las, vocês não imaginam". Nós não imaginámos. Começámos a chorar. As lágrimas ajudam muito. As dos outros especialmente. Chorar sozinho não tem o mesmo efeito. A Maria João tem chorado por razões tristes. Desta vez estava a chorar de felicidade.

 

Como chora cada vez que ouve ou lê palavras doces, a dar força, a partilhar a dor, a juntar-se para que ela saiba que há muita gente a sofrer com ela, tal é a vontade delas que ela não sofra. Ou sofra pouco. Embora isto de se ficar vivo também se estranhe um bocadinho. 

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publicado às 14:55

What did Romeo see in Juliet?

por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.12

Or Figaro in Figarette?

Or Jupiter in Juno?

You know!

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publicado às 18:10

Nome novo, vida velha

por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.12

Na cena II do segundo acto da peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare, Julieta, a única filha dos Capuleto, diz os célebres versos: «What’s in a name? that which we call a rose/ By any other name would smell as sweet». Os apelidos do casal de adolescentes apaixonados impedem a sua felicidade, daí o suspiro de Julieta, que assim indica não deixaria de estar apaixonada se o amado se chamasse Romeu (Espírito Santo) Silva. A ideia é a de que uma rosa não deixaria de o ser se tivesse outra designação. Vem isto a propósito do nome a dar ao novo casal franco-alemão que lidera os destinos da Europa. Merkozy era excelente. Soava a multinacional de congelados com contentores nos portos das principais cidades dos países do Sul da Europa. Já vi Merkollande, HoMer, que adoro, mas que é demasiado erudito, e até Merde, seguramente escolhido por anti-europeístas radicais. Parece que gosto de Merllande. É arrastado, por isso eloquente desta alegada nova vida europeia. O que há em Merllande? O mesmo, mas com um nome pior.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-5-12

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publicado às 17:57

Serviço público

por Carla Hilário Quevedo, em 29.05.12

Gosto do serviço público de rádio e televisão. Gosto do conceito de serviço público. Acredito, aliás, que uma noção sólida do que interessa ao mais variado tipo de público é essencial ao êxito de cada canal, publicação ou site. Deve ser um desafio organizar a programação da RTP, que precisa de chegar a toda a gente. Até a pessoas como eu, que quase nunca suportam um programa (que não seja um episódio de uma série) até ao fim. Uma solução para captar um público, digamos, nervoso estará em fazer programas mais curtos. Outra solução está de certeza na muito boa qualidade dos mesmos, mais difícil de descrever aqui. Aconteceu ficar a ver a estreia de O Tempo e o Modo, da autoria de Graça Castanheira, que reúne estas duas qualidades. Trata-se de uma série de dez conversas de trinta minutos com personalidades diversas. O escritor uruguaio Eduardo Galeano foi a primeira a deixar o seu testemunho sobre a nossa história comum. A música e performer Laurie Anderson foi a segunda. À quinta-feira, às 23h30, na RTP 2.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-5-12

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publicado às 17:53

When an irresistible force such as you

por Carla Hilário Quevedo, em 27.05.12

Meets an old immovable object like me

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publicado às 14:25

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 27.05.12

Drive (estupidamente violento).

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publicado às 14:16

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 27.05.12

Grace Kelly

 

... isto que temos agora não é bem uma Primavera, nem é sequer ainda um Verão. É uma fase climática indefinida e transitória que se caracteriza por um céu de nuvens escuras e o sol a espreitar de vez em quando. Os pólenes andam loucos. Esta é aquela fase do ano em que a Natureza faz a sua limpeza anual numa parte do hemisfério: sacode os tapetes, abre as janelas e começa tudo outra vez. É mais um reinício; mais uma alergia.  

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publicado às 09:03

Dor de Cabeça: Ensino em Portugal

por Carla Hilário Quevedo, em 25.05.12

Sou espectadora do programa Olhos nos Olhos, na TVI24, com Judite de Sousa e Medina Carreira. Gosto da impaciência de Medina Carreira; gosto de quando agarra nos óculos com aquele ar de quem tem vontade de largar tudo, apanhar um táxi para o aeroporto e comprar um bilhete só de ida para outro sítio qualquer, menos a Grécia, a Irlanda, a Espanha, a Itália, ah!, e a França. Gosto do vocativo à antiga que dedica a Judite de Sousa: “Ó filha, a Alemanha...”. Faz parte da representação cúmplice. Ele é inquieto e resmungão; ela amua, faz beicinho e exige respostas concretas, que não temos o dia todo para estar aqui, sôtor. Quase todas as semanas, há um convidado no programa. Na segunda, foi a vez de Maria do Carmo Vieira, professora do ensino secundário em Lisboa. As ideias que tínhamos a respeito do ambiente generalizado de negligência no ensino e de falta de respeito por professores e alunos foram confirmadas por Maria do Carmo Vieira, que esclareceu que ainda nada mudou nos programas curriculares. Mesmo a tristemente famosa TLEBS, uma reforma exótica da nomenclatura gramatical do Português, parece não ter desaparecido para sempre. Infelizmente desaparecidas do currículo escolar estão as linguas clássicas, o Grego e o Latim, entendidas como “mortas”, mas que estão bem vivas na nossa língua. Maria do Carmo Vieira explicou que um professor de Português pode nunca chegar a ter aulas de Latim ou de Literatura Portuguesa. O Grego antigo quase nem existe. Foi um instante até se chegar ao discurso pavoroso da falta de utilidade das Humanidades. Por mim, acabava com mais de metade dos cursos de Economia e Gestão. Ó filhos, basta olhar para o País para percebermos que não funcionam.

 

Publicado hoje no Metro.

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publicado às 19:43

See the pyramids

por Carla Hilário Quevedo, em 24.05.12

Along the Nile
Watch the sun rise
On a tropic isle
Just remember darling
All the while
You belong to me

 

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publicado às 23:28

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