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Solidariedade

por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.12

Vasco Pulido Valente escreveu mais duas crónicas este fim-de-semana, além daquela em que quase me enervava. Nessa referia que a Fundação Calouste Gulbenkian recebera um apoio do Estado que não se justificava. Nas restantes, manifestou o seu incómodo por se ter enganado. O engano é natural, pois a fonte é o célebre relatório do governo sobre as fundações de direito público, privado, assim-assim, pardais ao ninho. Já o mau estar com o engano não é para todos. Mas nem isso serviu para salvar VPV. Houve logo quem exigisse que se imolasse pelo erro. Pessoas que nunca se enganaram, certamente. Não é o meu caso, que ainda hoje acordo a meio da noite com suores frios por ter acreditado com entusiasmo nas palavras de Jonah Lehrer. Salvas as devidas diferenças naturais e etárias, são coisas que só acontecem aos melhores.     

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publicado às 17:27

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.12
Grace Kelly

 

... decidi, a partir de ontem, não fazer mais observações aos comentários de António Borges. As pessoas têm de preencher requisitos mínimos para serem criticadas, senão a crítica passa a ser bullying. E está um dia lindo, lá isso está.

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publicado às 08:37

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 29.09.12

Happy Accidents (um filme encantador). The Dictator (é tudo excelente).

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publicado às 18:30

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.12

Grace Kelly

 

... a ler o artigo de Vasco Pulido Valente sobre as fundações. Ainda bem que perdi a paciência há muito tempo. Era capaz de me enervar.

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publicado às 08:44

Da inutilidade

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.12

Numa entrevista recente a Judite de Sousa, o ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que uma pessoa que se esforçasse e estudasse os assuntos que mais lhe interessam poderia ser bem sucedida na vida. O exemplo que escolheu foi o estudo do latim, para horror da entrevistadora. Nuno Crato defendeu que, quem queira ensinar latim, tem a possibilidade de viver daquilo a que se dedicou desde que estude para ser o melhor na sua área. Penso que, de uma forma geral, tem razão, mas a vida tem o problema e a graça de não ser o resultado de uma fórmula. O esforço e a dedicação são fundamentais, mas não são garantias, sobretudo num país de poucas oportunidades como o nosso.

 

Estudar latim, além do mais, não leva necessariamente à nobre profissão de professor de latim. Pode não parecer, mas esta é uma boa notícia. E não parece porque há a ideia, que me parece limitada, de que é preciso haver uma correspondência exacta entre o que se estuda e o que se faz na vida. Até podia acontecer, há uns anos, e daí as certezas sobre empregos para a vida. Um médico acabava o curso, estudava mais uns dez anos depois disso, mas sabia que o esforço e o tempo compensariam no final. Hoje em dia, mesmo em medicina, não há certezas. O desafio difícil das novas gerações em Portugal é o de ainda serem confrontadas com a ideia de que é preciso ter estudado x para ser x. Não tem de ser assim, mas a responsabilidade de mudar a mentalidade no que diz respeito aos perfis das pessoas a contratar não tem de ser das universidades, mas das empresas.

 

Penso que ninguém defende a manutenção de escolas e cursos sem qualidade e, infelizmente, não nos podemos dar ao luxo de sustentar aulas com dois alunos inscritos. Mas daí a exigir às universidades que provem a empregabilidade dos seus cursos vai uma distância enorme. O problema é abordado sempre que se fala das humanidades, encaradas como uma perda de tempo num mundo cada vez mais embrutecido. O que vai fazer quem decida estudar filosofia? Ou história? Ou literatura grega? Num mercado de trabalho reduzido e a funcionar mal, as perspectivas de futuro são pouco animadoras.

 

Mas a solução não é transformar as universidades em escolas de formação profissional, libertando as empresas da responsabilidade de formar os seus quadros. Não é para isso que serve a universidade, que, nas palavras do filósofo Michael Oakeshott, no ensaio "The Idea of a University", "não é uma máquina para atingir um objectivo particular nem produzir um resultado particular: é uma forma de actividade humana". A actividade consiste na "busca da aprendizagem", constitutiva de uma sociedade civilizada. Justificar a necessidade da universidade levou a uma resposta perversa que se adequa a uma sociedade fragilizada pela pobreza: a empregabilidade dos cursos.

 

As respostas são, no entanto, bastantes antigas. Não se trata de "aprender literatura", um exemplo, porque "dá para" o desempenho de uma função específica. Estamos a falar de aprender a distinguir o bom do mau, o que é verdadeiro do que não é. Aprender sobre os outros, sobre nós. Como preparação para o mercado de trabalho, não está nada mal.

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, Loja de Porcelana, 15-9-12

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publicado às 17:37

A vingança da vingança

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.12

Estava à espera que Bad Piggies fosse o jogo da vingança do porco verde maltrado há anos pelo pássaro zangado, porque foi assim que o apresentaram. Seria uma história arriscada, sobre o ladrão transformado em vítima. Mas, afinal, Bad Piggies é sobre os bastidores da vida alegre do porco verde. Tem bricolage, dinamite e uma musiquinha de feira. É menos para nerds do que o Angry Birds. Mais para crianças, que também têm direito a jogar.

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publicado às 11:58

Não é bem isto

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.12

Fiquei a pensar que não se trata de 'acertar' na chave do Euromilhões. A menos que um homenzinho minúsculo viva na tômbola e se entretenha a escolher os números na segunda e na quinta à noite, não há motivo nenhum para pensar na existência de uma pré-definição da combinação bisemanal do concurso. 'Acertar' é para assuntos sérios, como a memória. Mas não para o acaso, a sorte, ou seja o que for em que pouco ou nada intervimos. 

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publicado às 11:51

Só não acerto no Euromilhões

por Carla Hilário Quevedo, em 25.09.12

A manifestante amorosa não apareceu num reality show, mas foi parecido.

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publicado às 17:53

Abracinho

por Carla Hilário Quevedo, em 25.09.12

Houve um pequeno incidente durante a manifestação de protesto no sábado passado. Uma rapariga, chamada Adriana Xavier, abraçou um polícia quando os manifestantes passavam à frente dos escritórios do FMI. A rapariga é gira. O polícia também é giro. A imagem faz lembrar o anúncio em que uma série de raparigas giras se juntam a uma certa hora para ver um rapaz de tronco nu a lavar as janelas de um escritório. As fotografias também são giras. Até ao pormenor realista contado no Público de que Adriana Xavier não concluiu o 12.º ano por causa da disciplina de Geometria Descritiva, estava preparada para questionar a espontaneidade do episódio. Mas apetece acreditar que foi um acto sincero de paz e amor. Sempre foi melhor o abraço da Adriana do que as pedras atiradas na escadaria da Assembleia da República por miúdas armadas em Hezbollah. Só espero que nem a rapariga nem o distinto membro das forças da intervenção apareçam num reality show.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-9-12

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publicado às 17:47

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.09.12
Lauren Bacall

 

... nos últimos tempos surgiu uma palavra muito séria no discurso político: lealdade. Temo que esteja a ser usada de um modo abusivo, pouco rigoroso e sobretudo manipulador. A lealdade não é sinónimo de submissão nem de apagamento da face da terra. Muito cuidado com isto.

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publicado às 11:16

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