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Hm, uma direita reaccionária

por Carla Hilário Quevedo, em 04.02.13

O Luís M. Jorge diz que a direita é aquilo; a saber, Ulrich e Jonet, etc. E termina: "A única razão que conhece é a força, o único diálogo que trava é com os seus pares, a única ideologia que respeita é o esclavagismo". Pela descrição, parece o regime da Coreia do Norte. À esquerda também tens cada caramelo... 

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publicado às 21:26

Moralismo social

por Carla Hilário Quevedo, em 04.02.13
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Há dias, ainda a propósito da Pépa e do seu desejo manifestado de ter uma carteira Chanel, apareceu uma definição possível de uma pessoa má: é aquela que quer modificar os sonhos dos outros, tentando convencer as Pépas como nós de que o que desejam, ou que lhes dá prazer, como carteiras ou fígado de ganso, é fútil, inútil e faz mal a um mundo carregado de injustiça e pobreza. A pessoa má é aquela que não perde uma oportunidade de converter os outros que sonham e não pensam como ela, mostrando-lhes como são ridículas por quererem mais da sua vida quando há tantos que têm tão menos ou quase nada. Ao contrário do que parece, os que atacam os sonhos dos outros não querem fazer do mundo um sítio melhor para todos. Querem, acima de tudo, desvalorizar expectativas, minar a confiança e, deste modo, colocar toda a gente ao mesmo nível dos desafortunados por quem tão falsamente choram.

 

Da procura de causas sobre a nossa crise deve constar esta mentalidade rude e mal formada, que vai além do pessimismo tão apregoado quanto inofensivo. Há, no entanto, uma diferença entre as pessoas com quem não nos queremos relacionar e outras, com responsabilidade na sociedade, que ouvimos na televisão a repetir as mesmas ideias que nos repugnam. Destas não conseguimos escapar! Apesar da distância real daqueles que nos apanham desprevenidos em casa com as suas ideias para um mundo melhor, não há zapping que nos salve dos seus conselhos, das suas interpretações simplistas da realidade e dos insultos que proferem e a que chamam “as verdades que ninguém se atreve a dizer”. São os profetas que não, não merecemos.

 

Primeiro foi António Borges. Tivemos de o ouvir meses a fio a perorar sobre a “nossa” culpa de estarmos na bancarrota. Depois apareceu Isabel Jonet, que resumiu a crise a um problema de água a mais quando se lava os dentes e aos bifes todos os dias, que não sei quem come. A sua intervenção acabou numa divisão exótica entre caridade e solidariedade. Por fim, temos Fernando “ai aguenta, aguenta” Ulrich, que há dias quis esclarecer o que queria dizer com o “aguentar”, numa conferência em que, ironia do destino, anunciava os resultados do banco. Afirmou Ulrich: “E os gregos aguentam uma queda do PIB de 25%, os portugueses não aguentariam porquê? Somos todos iguais, ou não?”. A resposta é não, não é por pertencermos à mesma espécie que somos todos iguais. Continuou Ulrich: “Se você andar aí na rua, e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer”. Pode, sem dúvida. Também pode acontecer que o presidente do BPI se torne uma pessoa que preza a contenção e o pudor, e por isso pensa duas vezes antes de falar, mas não sei se teremos tanta sorte. Concluiu Ulrich: “E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, naquela situação e a sofrer tanto, aguentam, porque é que nós não aguentamos? Parece-me uma coisa absolutamente evidente”. Por fim, tudo se esclarece. No dicionário ulrichiano, “aguentar” é o contrário de “estar morto”.

 

É nestas alturas que penso em Ricardo Salgado e no seu silêncio, que vale ouro, sobre o que outros sentem e o que sofrem. Um bom rico é aquele que não é um moralista social. É uma questão de boa educação. 

 

Loja de Porcelana, publicado na edição de fim-de-semana do i de 2-3 de Fevereiro. 

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publicado às 19:54