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Adenda

por Carla Hilário Quevedo, em 19.02.13

Ainda por causa de Lincoln, fiquei a pensar que já não existem grandes propósitos a resolver pelos governos, por isso a mentira, a corrupção, etc. na política deixou de servir interesses nobres. Mas depois vejo notícias como esta e penso que está tudo por fazer. Se os políticos não estão a pensar nas pessoas que servem (ver etimologia de 'ministro'), então para que estão na política?

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publicado às 18:59

Bastidores

por Carla Hilário Quevedo, em 19.02.13

Daniel Day-Lewis está a vencer todos os prémios cinematográficos pela sua interpretação em Lincoln, de Steven Spielberg. Sem pôr em causa o seu talento, confesso que não foi o que mais me seduziu no filme. Não percebo as diferenças entre encarnar, entrar em ou recriar uma personagem histórica num filme (ou num livro ou num quadro). Acredito no que é credível, convincente ou sedutor. Sem dúvida que Day-Lewis acerta em qualquer uma destas categorias. Mas do que mais gostei no filme foi da política. Não me refiro às grandes ideias, como abolir a escravatura. O que há aí para não gostar? Mas aos meios menores, como a intimidação, a chantagem ou o suborno que se escondem por trás dos objectivos sublimes. A baixa política tem a sua importância no processo de realização dos grandes propósitos. Deve estar ao seu serviço. Abraham e os seus discursos são memoráveis, mas sem a mentira nada teria mudado. Lincoln também é excepcional por nos lembrar isso.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 15-2-13

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publicado às 18:54

Bento XVI

por Carla Hilário Quevedo, em 19.02.13

Foi naturalmente em latim que Bento XVI anunciou a sua renúncia para 28 de Fevereiro. Os únicos antecedentes de resignação papal foram Celestino V, em 1294, que morreu dois anos depois, e Gregório XII, em 1415. Sei que, para muitos, este foi um Papa reaccionário. Para mim, e não só, foi inteligente, prudente e interventivo. Apesar de depreciativos nos dias de hoje, conservador e dogmático são atributos admiráveis quando usados para descrever uma pessoa que responde por uma Fé acima de tudo tolerante e solidária, como é e deve ser o catolicismo ecuménico e romano. Mesmo nas suas decisões mais controversas, o Papa foi sincero e pacífico, lembrando que só a tradição filtra a moda e que não podemos abdicar do que importa. Deve estar exausto. Só os vergonhosos casos de pedofilia davam para destruir cem papas honestos. Mas ao contrário do que os observadores especializados afirmam, só espero que Ratzinger não fique alheado da eleição do futuro Papa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 15-2-13

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publicado às 18:52