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Desiludidos descarados

por Carla Hilário Quevedo, em 26.03.13

"O resultado do desemprego é muito infeliz, é mesmo muito pior que o esperado", disse Abebe Selassie, chefe de missão do FMI. E mais: "Abebe Selassie disse que está desapontado porque os preços da eletricidade e das telecomunicações em Portugal ainda são muito elevados". Estas desilusões todas juntas devem servir para estas pessoas reverem as suas expectativas. Devemos acreditar que foram ingénuos ao ponto de esperarem milagres?

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publicado às 18:25

Previsões e desilusões

por Carla Hilário Quevedo, em 26.03.13

Vítor Gaspar é acusado de errar nas previsões. Confesso que me espantaria se acertasse. Se o tivesse conseguido, teria movido céus e terras para me encontrar com o ministro das Finanças munida de um simples boletim do Euromilhões. Assim, francamente, não me espanta nada que não acerte. Não me lembro, aliás, de nenhum ministro de nenhum governo que tivesse acertado fosse em que previsão fosse. E até me surpreende que num país com tão pouca fé haja uma multidão imensa disponível para acreditar em previsões reveladas em ‘pontos percentuais’ e logo por políticos. Mas talvez tudo isto tenha o seu sentido: só ficamos desiludidos com aqueles em que acreditámos. O próprio Vítor Gaspar disse estar «desapontado» com o aumento do desemprego. É uma forma subtil e inaceitável de se colocar do lado de fora do problema. A minha desilusão com Vítor Gaspar tem mais que ver com os seus ‘desapontamentos’ do que com o facto de não acertar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-3-13

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publicado às 18:21

Gestos de guerra

por Carla Hilário Quevedo, em 26.03.13

O jogador do AEK de Atenas Giorgos Katidis, de 20 anos, corre o risco de ser banido para sempre do futebol grego por ter feito a saudação nazi (a do bracinho esticado) para festejar a vitória da sua equipa. Após ter sido fortemente criticado pelo público em geral, Katidis veio explicar que não é fascista nem sabia o que estava a fazer. Acredito no rapaz, que é só parvo. Mas o problema é sério. Com o aparecimento desavergonhado da extrema-direita na Grécia e o Aurora Dourada a ser eleito para o Parlamento, com um líder que faz a saudação nazi (a do bracinho dobrado), uma questão de liberdade de expressão corre agora o risco de ser um crime. Para grandes males, grandes remédios, por isso estou do lado de Antonis Samaras, que, por ocasião do 70.º aniversário das primeiras deportações de judeus de Salónica para Auschwitz, afirmou ser necessário criar leis «contra a violência e o racismo». A Grécia está em guerra. Todo o cuidado é pouco.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-3-13

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publicado às 18:17