Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Vida académica

por Carla Hilário Quevedo, em 13.08.13

O professor Barry Komisaruk, da Universidade Rutgers, em Nova Jérsia, tem 72 anos e desde a década de 60 que estuda o prazer feminino. Após mais de cinquenta anos de pesquisa, chegou à conclusão de que ter um orgasmo é mais benéfico para o cérebro do que fazer palavras cruzadas ou Sudoku. Parece que este tipo de exercícios estimula a corrente sanguínea, mas só numa parte do cérebro, ao passo que um orgasmo atinge toda a massa encefálica. A notícia foi publicada no jornal The Telegraph, o que significa que por aquelas bandas também não sabem muito bem o que fazer no mês de Agosto. Pelos meus cálculos, o Professor Komisaruk terá começado a sua investigação com pouco mais de 20 anos. É uma vocação. Fiquei cheia de perguntas. Como será uma vida dedicada à observação da actividade sexual de ratos e pessoas? A máquina de observação seria usada para verificar orgasmos fingidos? Terei de esperar até ao próximo Verão pela actualização dos resultados?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-8-13

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:34

Conhecido por Zico

por Carla Hilário Quevedo, em 13.08.13

A decisão do tribunal de poupar a vida ao cão Zico é bem-vinda. Tive a oportunidade de defender essa opção com o argumento de que um animal não humano não decide matar ninguém, porque não é dotado de razão, logo não pode fazer escolhas. O cão é perigoso porque é treinado por pessoas perigosas, que, essas sim, são responsáveis pelas suas decisões. Rita Silva, dirigente da Associação Animal, escolheu, pela sua parte, chamar Mandela ao Zico e apresentou razões: «Vamos chamá-lo Mandela, porque tal como o líder sul-africano este cão também é um símbolo de liberdade. Esteve preso sete meses sem saber porquê, tal como Mandela esteve preso mais de duas décadas». O que me surpreende na declaração de Rita Silva é a sua crença na capacidade racional do Zico. É, aliás, a sua incapacidade que o torna recuperável. Não pensa, por isso pode ser moldado. Bastava mudar o nome para um menos agressivo e pôr o ex-Zico num programa de protecção de testemunhas.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-8-13

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:30

Um mau argumento

por Carla Hilário Quevedo, em 13.08.13

O ministro do Ambiente da Índia declarou que os golfinhos devem ser considerados «pessoas não humanas» e por isso não podem ser mantidos em cativeiro nem devem ser usados em espectáculos de entretenimento. A razão para esta grande novidade está na inteligência destes animais já confirmada cientificamente. Aplaudo a decisão, mas não concordo com o argumento usado. Se a inteligência é o factor determinante para os animais terem direitos, então não há motivos de preocupação para os aficionados das touradas, entre outros. A menos que se prove que o touro é mais inteligente do que o toureiro. Mas o que acontece aos animais mais estúpidos do que os golfinhos, quase todos? Se fizermos como na Índia fazem com as vacas, teremos de introduzir o conceito de pessoa divina. Se a pessoa é divina, então não se pode comer. Um dia seremos convertidos à força ao vegetarianismo. Tudo porque insistiram em argumentos frágeis para criar leis importantes.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-8-13

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:28