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x2

por Carla Hilário Quevedo, em 27.02.14

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publicado às 18:51

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 27.02.14
Lizzy Caplan

 

... desde que largou o ar de mosca morta que prefiro a Good Wife, que sofre menos e ganha mais, mas os episódios são irregulares, uns melhores do que outros. O último episódio que vi de True Detective, série que a Emily Nussbaum, da New Yorker, descreve como "superficial" e "misógina", além de afirmar, a precisar de internamento urgente, que é pior do que aquela estucha pretenciosa da Jane Campion, o Top of The Lake; mas dizia, então, que o quarto episódio de True Detective foi muito violento. Só a ideia de uma rave numa casa abandonada no meio do Louisiana me apavora. Não gostei tanto, prefiro quando falam mais e correm menos. Entretanto, voltou a personagem mais mal vestida das séries de televisão modernas, que é a dinamarquesa Sarah Lund, com uma camisola ainda mais feia do que nas temporadas anteriores. Gosto de ver todas, sobretudo True Detective, mas falta qualquer coisa. Falta a segunda temporada de Masters of Sex. Ah, saudades...

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publicado às 09:18

A ouvir em loop

por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.14

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publicado às 23:10

Sobre a praxe académica...

por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.14

... já escrevi vários textos, como: A favor da proibição, Vergonha nacional, O ciclo da vítima, Um País cansativo, A praxe é foleira, entre outros, além de centenas de tweets de escárnio e maldizer sobre o assunto. Vejo agora que o Bloco de Esquerda concorda comigo. Good for them!

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publicado às 22:59

Até ao fim

por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.14

Ainda sobre a praxe académica, que merece ser discutida até às últimas consequências, Pedro Passos Coelho veio dizer que não precisamos de mais legislação sobre o tema. Concordo com o primeiro-ministro neste ponto. São as universidades que têm de proibir a prática e os argumentos a favor da proibição são simples. Uma instituição que dá cobertura a práticas de humilhação do próximo, que promove o bullying e que se escuda na maioridade dos alunos quando as coisas correm mal, não é uma instituição digna de ser chamada 'universidade'. Pode ser uma empresa de organização de eventos, mas decididamente não é um sítio que se ocupa da formação de pessoas. Quanto aos caloiros que aparecem a defender a praxe, evocando 'o direito a serem humilhados', há que ter a coragem de lhes dizer que estão enganados no seu desejo de frequentar o ensino superior. Tem de haver alguém que diga a estes jovens, com honestidade, que não têm perfil de universitários.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-2-14

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publicado às 22:57

My idea of fun

por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.14

The Muppets Have Been Posting Selfies to Their Official Instagram, que maravilha.

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publicado às 21:58

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 24.02.14

Das letzte Schweigen (recomendo ao meu pior inimigo). Prisoners (não recomendo nem ao meu pior inimigo).

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publicado às 19:25

Outra pessoa

por Carla Hilário Quevedo, em 23.02.14
App Hipstamatic com lente Jane e rolo Ina's 1982

 

Não existe actividade mais complicada em Portugal do que trabalhar. Tudo é extremamente difícil de concretizar, os tempos são lentos e as pessoas fazem o que podem. Acontece que, muitas vezes, aquilo que podem fazer ou não serve ou não é suficiente. Podem reformar o país de alto a baixo, que não reformam, mas ninguém poderá fazer com que o próximo, quer seja funcionário público ou de uma empresa privada, por exemplo, responda a um email em tempo útil. As poucas pessoas que o fazem, tão raras como os ursos panda da floresta, têm diariamente de se debater com estruturas pesadas, burocráticas ou apáticas, que não valorizam capacidades fundamentais para a criação de riqueza. Quase todas as empresas têm falhas graves de comunicação. Se forem pequenas, o risco de as questões serem tratadas de modo doméstico é enorme. Se forem grandes, funcionam quase como o Estado, perdidas entre gabinetes e departamentos, demoradas a decidir. Digo isto porque, cada vez mais, aparece um discurso que condena Portugal a uma pioria de vida “por causa da crise”. O problema é mesmo ninguém perceber quando é que Portugal foi diferente.

 

Numa cena do excelente filme da HBO, Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh, sobre a vida de Liberace, com Michael Douglas e Matt Damon, a mãe do artista excêntrico, de temperamento complicado, Frances Liberace, interpretada por Debbie Reynolds, diz ao filho num momento difícil que a vida não é uma questão de sorte; “é o que somos”. Embora acredite na arbitrariedade da sorte, porque não há nada estabelecido, nem determinado, nem “um destino a cumprir”, além de não, não estar tudo ligado; e, ainda assim, há coisas inesperadas que acontecem, para o bem e para o mal, acredito também que “o que somos” se reflecte nas vidas que vivemos. Só temos sorte se a soubermos reconhecer. E para a reconhecermos temos de “ser” alguém que reconhece a sorte quando a vê. Não temos realmente de “fazer” nada. O problema, neste caso, não é de acção. Ou melhor, a acção é o que constitui o carácter, e por isso é suficiente.

 

O que tem isto a ver com Portugal e a sua maneira esquisita, lenta, desleixada, de funcionar no trabalho? Tem tudo. Em vez de sermos competitivos, somos rivais. Em vez de sermos eficientes, fazemos favores. Em vez de sermos profissionais, odiamos o chefe. Em vez de sermos profissionais, humilhamos o funcionário. Pergunto àqueles que se surpreendem com a nossa pobreza, como o podem fazer, quando desde sempre fomos tão pouco distantes no que não interessa, pouco empáticos no essencial, e tão pouco livres no resto. Não é preciso ver gráficos para sabermos que os países mais autocráticos são também os mais pobres, os mais corruptos, com menos igualdade de oportunidades. Portugal é uma democracia há quarenta anos, mas ainda não aprendeu realmente a funcionar de acordo com o que se espera de um povo livre.

 

Na verdade, o que me surpreende e entristece no meu país é a sua contínua incapacidade de perceber que a riqueza e o bem estar estão ao seu alcance. E que para isso não tem de mudar de vida. Portugal tem só de ser outra pessoa. 

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 22/23-2-14.

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publicado às 19:25

Para continuar a combater o tédio…

por Carla Hilário Quevedo, em 20.02.14

... Sir David Attenborough describes Olympic curling: "This is Nature at its most vulnerable".

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publicado às 18:47

Para combater o tédio...

por Carla Hilário Quevedo, em 20.02.14

... um poema deslumbrante de César Vallejo, que o Jorge Uribe leu ontem muito bem no Museu da Música. Aproveitei para sublinhar.

 

Los nueve monstruos

de César Vllejo

 

Y, desgraciadamente,
el dolor crece en el mundo a cada rato,
crece a treinta minutos por segundo, paso a paso,
y la naturaleza del dolor, es el dolor dos veces
y la condición del martirio, carnívora voraz,
es el dolor dos veces
y la función de la yerba purísima, el dolor
dos veces
y el bien de ser, dolernos doblemente.

Jamás, hombres humanos,
hubo tanto dolor en el pecho, en la solapa, en la cartera,
en el vaso, en la carnicería, en la aritmética!
Jamás tanto cariño doloroso,
jamás tan cerca arremetió lo lejos,
jamás el fuego nunca
jugó mejor su rol de frío muerto!
Jamás, señor ministro de salud, fue la salud
más mortal
y la migraña extrajo tanta frente de la frente!
Y el mueble tuvo en su cajón, dolor,
el corazón, en su cajón, dolor,
la lagartija, en su cajón, dolor.

Crece la desdicha, hermanos hombres,
más pronto que la máquina, a diez máquinas, y crece
con la res de Rousseau, con nuestras barbas;
crece el mal por razones que ignoramos
y es una inundación con propios líquidos,
con propio barro y propia nube sólida!
Invierte el sufrimiento posiciones, da función
en que el humor acuoso es vertical
al pavimento,
el ojo es visto y esta oreja oída,
y esta oreja da nueve campanadas a la hora
del rayo, y nueve carcajadas
a la hora del trigo, y nueve sones hembras
a la hora del llanto, y nueve cánticos
a la hora del hambre y nueve truenos
y nueve látigos, menos un grito.

El dolor nos agarra, hermanos hombres,
por detrás de perfil,
y nos aloca en los cinemas,
nos clava en los gramófonos,
nos desclava en los lechos, cae perpendicularmente
a nuestros boletos, a nuestras cartas;
y es muy grave sufrir, puede uno orar…
Pues de resultas
del dolor, hay algunos
que nacen, otros crecen, otros mueren,
y otros que nacen y no mueren, otros
que sin haber nacido, mueren, y otros
que no nacen ni mueren (son los más)
Y también de resultas
del sufrimiento, estoy triste
hasta la cabeza, y más triste hasta el tobillo,
de ver al pan, crucificado, al nabo,
ensangrentado,
llorando, a la cebolla,
al cereal, en general, harina,
a la sal, hecha polvo, al agua, huyendo,
al vino, un ecce-homo,
tan pálida a la nieve, al sol tan ardio!

¡Cómo, hermanos humanos,
no deciros que ya no puedo y
ya no puedo con tanto cajón,
tanto minuto, tanta
lagartija y tanta
inversión, tanto lejos y tanta sed de sed!
 
Señor Ministro de Salud; ¿qué hacer?
!Ah! desgraciadamente, hombres humanos,
hay, hermanos, muchísimo que hacer.

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publicado às 16:14

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